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Vozes da Periferia: Festa Literária do Fumacê transforma a realidade de jovens em Realengo através da contação de histórias

  • Writer: Alexandre Madruga
    Alexandre Madruga
  • 4 minutes ago
  • 3 min read

Em um cenário onde o acesso à cultura ainda é um desafio histórico para as periferias do Rio de Janeiro, a literatura emerge como uma ferramenta de emancipação. Sob o lema “Nós nunca estamos SÓS, Favela!”, a FLP – Festa Literária da Comunidade do Fumacê consolidou, em sua segunda edição de 2026, o papel da palavra escrita e falada como instrumento de transformação social, autoestima e cidadania em Realengo. Idealizado e curado pelo ativista cultural Bruno Black, o projeto foca no tema “Contação de Histórias” para ocupar escolas públicas e territórios populares. O objetivo é criar um ecossistema permanente de formação e valorização da cultura produzida dentro das próprias comunidades.


Diferente de festivais literários tradicionais que se concentram em grandes eventos isolados, a FLP aposta em uma programação contínua e descentralizada. As ações de maio estenderam pontes entre as comunidades do Fumacê e do Curral das Éguas, divididas em duas frentes estratégicas. A formação Infantil foi o pontapé inicial e ocorreu na Escola Municipal Lima Barreto. As mediadoras Joana D’Arc, Silvia Castro e Tatiana Oliveira conduziram atividades lúdicas de contação de histórias, focando no estímulo à imaginação e no contato afetivo com os livros desde a primeira infância. Na juventude e escuta, os adolescentes do CIEP Oswaldo Aranha receberam os contadores Mathias Bildhauer, Aier e Luana Mendes. O encontro priorizou o diálogo, a inteligência emocional e o reconhecimento das potências e narrativas individuais dos jovens.

"A oralidade, presente nas tradições populares, é o eixo central. Queremos criar espaços de acolhimento onde o jovem não seja apenas espectador, mas o protagonista da sua própria história", afirma o idealizador Bruno Black.

O reflexo das intervenções ecoa tanto nos alunos quanto nos artistas convidados, que enxergam na FLP uma vitrine para a literatura periférica e um agente de saúde mental e social. A escritora Silvia Castro classificou a experiência na Escola Lima Barreto como um ato de afeto e resistência política.

"Levar a literatura para dentro das escolas é debater identidade, território e pertencimento. A leitura aproxima realidades que a cidade insiste em separar", pontuou.

Para a escritora Luana Mendes, o festival foi um divisor de águas. Ela destaca que o suporte da curadoria foi fundamental para que pudesse apresentar seu livro a novos públicos, mostrando aos jovens que a carreira literária é um caminho possível.


O artista Mathias Bildhauer, que levou fragmentos de sua peça Eu Sou Outro Você ao CIEP Oswaldo Aranha, celebrou o engajamento dos estudantes. Ele utilizou a dinâmica cênica para trabalhar a conexão humana:

"A FLP nasce da capacidade de transformar vidas através da cultura. Ver o envolvimento desses jovens nos dá a certeza de que a transformação social acontece pela palavra."

A FLP não para por aqui. A cada mês, o projeto desenvolverá uma intervenção temática inédita em Realengo, explorando novas linguagens artísticas, artes visuais e saraus de poesia. Ao ocupar ruas, praças e salas de aula, o movimento demonstra que a periferia não é apenas um lugar de carências, mas um polo efervescente de produção intelectual e criatividade.


Nas vielas do Fumacê, o futuro já está sendo reescrito — linha por linha, história por história.

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