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Jardim Sulacap - Zona Oeste do Rio de Janeiro - Brasil

Entende-se por Jornalismo Comunitário10 aquele jornalismo que se dedica ao relato
de fatos que atendem às demandas de determinada comunidade. É através do
Jornalismo Comunitário que se busca resgatar a identidade individual e coletiva da
sociedade na qual determinada comunidade está inserida. É a busca constante pela
valorização da cultura local, de uma coletividade, a partir da noção de pertença do
indivíduo à determinada comunidade. O Jornalismo Comunitário é a oportunidade de
proporcionar aos indivíduos uma cidadania no sentido de poder exercer seu direito a uma
comunicação ativa e não apenas passiva como acontece, via de regra, nos meios de
comunicação de massa tradicionais e na grande mídia nos quais os cidadãos são
representados, em grande parte, como indivíduos anônimos.


Sendo assim, o cidadão, ao ser inserido em um sistema de comunicação
comunitária tem condições de participar de maneira ativa do processo de construção das
notícias, da prática redacional à publicação de determinado veículo comunitário. Essa
práxis conduz, cada vez mais, à produção de conteúdos que vão garantir um
estreitamento entre o público leitor e a produção das informações. Essa sem dúvida é
uma forma de garantir maior reciprocidade entre o veículo e a comunidade de forma que
esta se veja representada naquele. A prática do Jornalismo Comunitário só é possível se
o jornalista que se destina ao trabalho de comunicação comunitária tiver a sensibilidade e
os olhos voltados para a comunidade, para os fatos que realmente têm importância para
aqueles indivíduos que compõem a comunidade.

No jornalismo comunitário, o local é quem dá as cartas – ou melhor, as pautas. Ele assume com ênfase e sem constrangimentos o fato de procurar dar conta de uma área restrita e, nesse sentido, e em comparação com os chamados veículos da grande imprensa, não se importa em ser pequeno, de conversar com grupos limitados, em termos quantitativos. Essa, aliás, é vista como uma de suas grandes virtudes qualitativas, pois o fato de aproximar-se de seu público permite que dialogue com ele mais com profundidade e intensidade.

 

Essa relação de proximidade, embora se manifeste essencialmente no plano geográfico – assuntos que estão mais perto da região onde vive a comunidade tendem a ter prioridade no noticiário –, pode também se revelar por meio daquilo que chamamos de “proximidade por demandas ou expectativas”. Exemplificando: projetos culturais e sociais desenvolvidos na comunidade terão destaque nos veículos por ela produzidos; o mesmo raciocínio vale para cenários de violência e exclusão, para problemas como o desemprego e a falta de escolas ou de postos de saúde, buracos, vazamentos de água e outros problemas que tenham base na legalidade e nos direitos da vizinhança. Aqui, prevalece a lógica geográfica – e, sem dúvidas, ela ocupa a maior parte do noticiário.

Para uma melhor contextualização, colocamos citações importantes que explicam o jornalismo comunitário:

 

- O jornalismo comunitário atende às demandas da cidadania e serve como instrumento de mobilização social. (...) Outra característica importante é o completo afastamento do ranço etnocêntrico. O jornalista de um veículo comunitário deve enxergar com os olhos da comunidade. Mesmo que já pertença a ela, deve fazer um esforço no sentido de verificar uma real apropriação dos processos de mediação pelo grupo. (Felipe Pena)

- Uma imprensa só pode ser considerada comunitária quando se estrutura e funciona como meio de comunicação autêntico de uma comunidade. Isto significa dizer: produzido pela e para a comunidade. (José Marques de Melo)

- A proximidade entre as pessoas é a principal característica do meio comunitário. As pessoas se conhecem e se reconhecem (como dizia Paulo Freire) nos seus problemas, angústias, alegrias e ritos cotidianos. Essa reconhecibilidade também exige uma linguagem referenciada aos costumes do grupo social. É uma linguagem coloquial, de fácil entendimento, reconhecível em suas gírias e modismos. Hoje, ou em qualquer época, jornalismo comunitário é uma atividade de comunicação originada na comunidade, administrada pela comunidade e dirigida à comunidade. (Pedro Celso Campos)

- A grande mídia chega para todo mundo, mas ela não tem a mobilidade de chegar falando a linguagem local, ela não sabe o nome das pessoas, ela não conhece os costumes. Ela apenas faz um recorte da realidade, mas não dá conta de passar toda a realidade com sua cor local. Só o comunitário pode fazer isso, porque está inserido fortemente na comunidade. (Pedro Celso Campos)

Referências Bibliográficas:

- FERREIRA, Fernanda Vasques. Revista Negócios em Projeção. Minas Gerais, 2011.

- SEQUEIRA, Cleofe; BICUDO, Francisco. "Jornalismo Comunitário – Conceitos, Importância e Desafios Contemporâneos". Trabalho apresentado no VII Encontro dos Núcleos de Pesquisa em Comunicação – NP Comunicação para a Cidadania; Setembro/2007. Profa. Dra. Cleofe Sequeira é formada em Jornalismo pela Universidade Católica de Santos. Mestre e Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/USP. Foi repórter, redatora e editora da empresa “Folha da Manhã” durante mais de vinte anos. É autora do livro “Jornalismo Investigativo”, lançado pela editora Summus. Prof. Ms. Francisco Bicudo é formado em Jornalismo pela ECA/USP, com mestrado em Ciências da Comunicação também pela ECA/USP. É repórter colaborador da revista “Pesquisa Fapesp”. Autor do livro “Caros Amigos e o resgate da imprensa alternativa no Brasil”, lançado pela editora Annablume. 

- AMARAL, Márcia Franz. Jornalismo popular. São Paulo, Contexto, 2006.

- CAMPOS, Pedro Celso. Professor do curso de Jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Bauru). Entrevista aos autores. Dia 20 de setembro de 2006. Por e-mail.

- DE MELO, José Marques. Teoria do jornalismo – Identidades brasileiras. São Paulo, Paulus, 2006.

- PENA, Felipe. Teoria do jornalismo. São Paulo, Contexto, 2005.

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