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Projeto social reduz trabalho infantil e transforma vida de famílias na Zona Oeste

  • Writer: Alexandre Madruga
    Alexandre Madruga
  • 12 minutes ago
  • 2 min read

Quem passa pelos sinais de trânsito em Jardim Sulacap nota uma mudança no cenário urbano: o número de crianças e adolescentes vendendo produtos nas ruas diminuiu. Por trás dessa transformação está o programa Mães de Renda, uma iniciativa conjunta do CAPSi II Pequeno Hans e da Clínica da Família Padre John Cribbin, em Realengo. Premiado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em parceria com o Ministério da Saúde, o projeto combina oficinas de geração de renda para mães e responsáveis com atenção à saúde e encaminhamento profissional para os jovens.


A proposta central do programa vai além do assistencialismo tradicional, focando na raiz da vulnerabilidade social. Como explica Tainara Cardoso, diretora do CAPSi Pequeno Hans, a iniciativa busca produzir dignidade, visibilidade e cuidado para famílias afetadas pela pobreza extrema, insegurança alimentar e escassez de políticas públicas. Realizadas quinzenalmente na Clínica da Família de Realengo, as oficinas ensinam a confecção de sabonetes artesanais para mães e avós, criando um espaço que une capacitação financeira, fortalecimento de vínculos comunitários e escuta acolhedora.

“O mais importante é acompanhar diariamente essas crianças, conhecer a dinâmica dessas famílias de forma comunitária, articulando a atenção primária, a assistência social e os programas de inserção profissional”, conta a diretora do CAPSi Pequeno Hans.

Ao longo de quatro anos de atuação, o projeto já alcançou cerca de 200 pessoas. Apesar dos desafios de adesão contínua — decorrentes da necessidade urgente das provedoras em buscar trabalhos pontuais —, o acompanhamento diário das equipes tem gerado impactos diretos na saúde dos jovens. A permanência nas ruas caiu de uma média de 18 horas para 10 horas diárias. Essa mudança refletiu-se na diminuição do índice de cáries, antes agravado pelo consumo dos próprios doces que vendiam para saciar a fome, e na erradicação dos casos de insolação em 2025.

“O número de insolação também baixou. Esses jovens chegavam com febre alta na Clínica da Família devido à grande exposição diária ao sol. Em 2025, por exemplo, não tivemos nenhum caso de insolação. Anteriormente, correspondiam a 30% dos casos atendidos mensalmente”, relata Tainara.

O sucesso da metodologia levou a iniciativa a ser selecionada pelo Laboratório de Inovação em Saúde (LIS) como uma das seis experiências brasileiras inovadoras na atenção primária. Reconhecido pelo Ministério da Saúde e pela OPAS, o modelo servirá como subsídio para a elaboração da Política Nacional de Saúde Integral para Adolescentes no Brasil, consolidando-se como referência de transformação social e cuidado comunitário.

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