• Alexandre Madruga

Um bairro de risco... risco sério de não receber nenhuma encomenda


Transportadoras e Correios não entregam no bairro por conta da segurança

Moradores insatisfeitos e tendo que buscar encomendas em Realengo. Essa é a realidade das compras virtuais feitas por quem mora no bairro Jardim Sulacap. Duplamente lesados, já que pagam para a entrega em casa, ainda tem o deslocamento para outro bairro, ficando horas aguardando atendimento, para pegar algo que deveria ter sido entregue em mãos, no conforto de casa.

A Empresa de Correios e Telégrafos (ETC), que serve de referência para outras transportadoras privadas, alega “área de risco” em grande parte do bairro, mesmo com os índices oficiais do Instituto de Segurança Pública não corroborando a afirmação.

- Eles alegam que Sulacap é área de risco. Sem contar que aqui na Rua Tobias Monteiro não recebo contas pra pagar na data de vencimento. Parece que eles esperam acumular e entregam tudo de uma vez. – disse uma moradora.

O mesmo problema atinge muitas outras ruas, como Olímpio de Castro, Guilherme Fernandes, Joaquim Ferreira, Modestino Kanto, Leopoldo Gotuzzo, Barreirinhas, Fernandes Sampaio, Otton da Fonseca, entre outras. Enviamos a ECT as ruas com problemas e nos responderam afirmando o seguinte:

“Os Correios estão entregando encomendas em domicílio, adotando medidas defensivas de entrega (veículos com gerenciamento de risco e/ou escolta armada) e prazos de entrega diferenciados”, e que essas ruas “são consideradas áreas de restrição de entrega porta a porta de encomendas. A medida tem como base levantamentos realizados pelo setor de segurança dos Correios. Ela é temporária e reavaliada periodicamente”.

A mesma nota ainda ressalta que “os Correios, assim como a sociedade, têm sido vítimas da falta de segurança pública. Para proteger seus trabalhadores, os clientes e a carga postal, a empresa adota medidas como entregas diferenciadas em algumas localidades, entre as quais incluem-se, no momento, ruas do Jardim Sulacap”.

Sobre como trabalha o setor de segurança da empresa, a ECT respondeu com a seguinte nota:

“A área de segurança dos Correios possui uma regra de quantidade de assaltos a carteiros por mês em determinada região a partir da qual ela passa a ser considerada área de restrição de entrega, passando a entrega a ser realizada internamente na unidade operacional mais próxima do endereço. Essa regra de área de restrição de entrega visa preservar a integridade física de nossos trabalhadores. Antes de incluir definitivamente esses logradouros como área de restrição de entrega em nosso sistema de consulta http://www2.correios.com.br/sistemas/precosPrazos/restricaoentrega/, os Correios os mantêm sob avaliação das condições de segurança pública por um certo período. Caso haja melhora sob o ponto de vista da segurança pública, a distribuição externa pode ser reativada.

Em 2015, os Correios criaram uma força-tarefa para implementar um Plano de Ação Emergencial na Diretoria Regional do Rio de Janeiro, especialmente na Capital e na Região Metropolitana, visando ao resgate e à manutenção dos indicadores de qualidade. O foco desse plano são ações na área de segurança empresarial, distribuição de encomendas e atendimento ao cliente, com destaque para as áreas de restrição de entrega afetadas pela criminalidade. Desde então a empresa também tem intensificado parcerias com outros órgãos, como a Polícia Federal e as Secretarias Estaduais de Segurança Pública e de Proteção e Defesa do Consumidor.

Detalhes do Plano de Ação foram apresentados à Secretaria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor em 8 de março de 2015. Entre as ações já em andamento incluem-se a contratação de escolta armada para acompanhar carteiros, contratação de ferramentas de gerenciamento de risco para acompanhamento de circuitos de entrega motorizada, instalação de unidades descentralizadas para facilitar a distribuição de encomendas e investimentos em infraestrutura. Com as medidas, os assaltos a carteiros diminuíram 17% em 2016 na comparação com o ano anterior. Além disso, a empresa conseguiu retomar a entrega domiciliária em diversos logradouros, diminuindo em 70% a retirada de objetos em unidades dos Correios”.

Sobre o não encaminhamento das encomendas ao posto localizado no Campo dos Afonsos, o que ajudaria muito os moradores com a redução de deslocamento para outro bairro, a ECT informou que “selecionam as unidades de atendimento e de operação que têm estrutura para armazenamento das encomendas, levando em conta as condições de segurança e a integridade dos objetos. A agência de correio mais próxima do Jardim Sulacap não atende a esses requisitos. Por isso, a entrega é efetuada no CDD Realengo”, que funciona de segunda a sexta-feira das 9h às 17h e aos sábados das 9h às 13h.

Em locais que recebem a entrega de correspondências (cartas, boletos bancários, faturas, telegramas, etc), a justificativa na continuação desse serviço é que os “objetos não têm valor comercial e não são alvos de assaltos”.

Como a ECT é uma empresa federal, roubos são registrados na Polícia Federal, que foi procurada para confirmar que o bairro tem alto índice de ocorrências contra funcionários dos Correios, mas até o momento do fechamento dessa reportagem, não nos respondeu.

Com tanta ausência de dados empíricos, que causam grandes transtornos, alguns moradores prometem entrar com ação no Ministério Público pedindo a requalificação do bairro, tirando a tarja "área de risco".


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