TECNOLOGIA QUE SALVA: Alunos da Faetec de Marechal Hermes criam robô de resgate capaz de reduzir em até 70% as mortes por desabamentos
- Alexandre Madruga

- 1 day ago
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Desenvolvidos por estudantes do 3º ano da Escola Técnica Estadual Visconde de Mauá, o protótipo 'Aracnobot' utiliza inteligência artificial e sensores avançados para guiar bombeiros em estruturas colapsadas e localizar vítimas sem expor equipes ao risco

Uma inovação de alto impacto social, concebida nos laboratórios do subúrbio carioca, promete transformar radicalmente as operações de busca e salvamento em cenários de catástrofes urbanas. Os alunos Natan Campos das Neves, Guilherme Amaro Martins da Silva, David Batista de Melo Gomes da Silva, Felipe Pereira Thomé e Gabriel Matheus Lima Gomes de Andrade, todos da Rede Faetec e matriculados no Curso de Eletrônica na Escola Técnica Estadual Visconde de Mauá, em Marechal Hermes, foram orientados pelo Robson Barroso dos Santos, e desenvolveram um sistema de veículo autônomo de resgate que pode aumentar drasticamente as chances de sobrevivência em soterramentos. Baseado em análises de tragédias reais, estima-se que a atuação operacional desse dispositivo seja capaz de reduzir riscos secundários e em até 70% o índice de mortalidade em desabamentos.

O projeto, que une o rigor da engenharia de hardware à vanguarda dos algoritmos de Inteligência Artificial (IA), materializa-se em duas soluções robóticas complementares: o pioneiro Projeto Guará — um veículo autônomo projetado para terrenos acidentados — e a mais recente atualização biônica, o Aracnobot. Inspirado na anatomia e na cinemática de uma aranha, o Aracnobot foi meticulosamente desenhado para se infiltrar em espaços extremamente confinados, instáveis e estreitos, onde o acesso de seres humanos ou de cães farejadores é fisicamente impossível ou perigoso demais.

Olhos e ouvidos sob os escombros
Em cenários críticos de colapso estrutural, o tempo é o fator mais implacável. Atualmente, equipes de socorro muitas vezes realizam buscas às cegas, atuando em estruturas perigosas sob o fantasma de novos desabamentos ou explosões iminentes. É exatamente nessa lacuna que a tecnologia desenvolvida em Marechal Hermes atua, funcionando como os "olhos" e os "ouvidos" avançados dos bombeiros.
O Aracnobot é equipado com um robusto ecossistema de sensores ambientais capazes de monitorar, em tempo real, variáveis críticas como vazamentos de gases tóxicos ou inflamáveis, focos ocultos de incêndio e oscilações bruscas de temperatura. Além disso, o robô carrega câmeras integradas de alta definição acopladas a um sistema de inteligência artificial calibrado para o reconhecimento imediato de rostos e corpos sob os escombros. Ao transmitir essas imagens e dados instantaneamente para o posto de comando externo, o dispositivo elimina as buscas "no escuro", permitindo que os socorristas tracem rotas de extração cirúrgicas, rápidas e seguras.
"Ao entregar informações precisas e mapear riscos ocultos como vazamentos e incêndios, essa tecnologia inovadora transforma dados brutos em esperança real de sobrevivência, poupando a vida de vítimas e dos próprios socorristas", destaca o comitê técnico da instituição.
A engenharia de equipe por trás da inovação
O sucesso da engenharia por trás do veículo autônomo não decorre apenas de componentes modernos, mas sim de uma divisão científica do trabalho e de uma sinergia rigorosa entre os desenvolvedores. O projeto foi integralmente concebido e executado por talentos do 3º ano do curso técnico de Eletrônica da Faetec Marechal Hermes, sob a orientação e supervisão técnica do professor Robson.
No núcleo lógico do sistema, o estudante Guilherme Amaro assumiu a complexa responsabilidade pela Programação e Inteligência Artificial. É dele o papel de traduzir os dados elétricos brutos coletados pelos sensores em informações de navegação inteligíveis, operando os algoritmos que guiam o veículo de forma autônoma pelos terrenos e que interpretam os picos térmicos ou contaminações do ar para emitir alertas vitais instantâneos.
A sustentação física e o suporte para que essa inteligência funcione em campo dependem do trabalho de Felipe Thomé, responsável pela arquitetura de Hardware e Eletrônica. Felipe enfrentou o desafio de projetar placas de circuito integrado, cabeamentos e redes de distribuição de energia robustas o suficiente para blindar os componentes sensíveis contra calor, umidade e poeira, garantindo que os sensores operem sem qualquer tipo de interferência eletromagnética em condições extremas.
Para fechar o ciclo de viabilidade do robô, o aluno Natan Neves liderou a linha de frente de Pesquisa de Componentes e Testes. Com uma visão de mercado estratégica, Natan selecionou os sensores e materiais que aliassem o melhor custo-benefício à máxima confiabilidade técnica. Posteriormente, submeteu cada peça a protocolos rigorosos de estresse físico e lógico, validando o desempenho de cada engrenagem antes da montagem final, mitigando falhas em ambientes reais onde o erro não é uma opção.
O ápice do processo consolidou-se na fase de montagem coletiva, um momento em que as fronteiras das especialidades individuais se uniram. O trabalhou em conjunto para fundir linhas de código, malhas de circuitos e a estrutura mecânica dos robôs. Essa cooperação integrada permitiu que cada membro compreendesse o impacto direto de sua função no todo, resultando em um maquinário coeso, de altíssima prontidão operacional e que coloca a excelência técnica da escola pública de Marechal Hermes na vanguarda das tecnologias de salvamento.
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