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Motos lideram traumas na Zona Oeste: Hospital em Realengo registra mais de 8 mil atendimentos em dois anos

  • Writer: Alexandre Madruga
    Alexandre Madruga
  • 2 days ago
  • 3 min read

Quase metade dos casos na emergência de Realengo envolve quedas de motocicleta; jovens entregadores de aplicativo e o consumo de álcool na madrugada acendem o alerta na saúde pública.



O avanço dos acidentes de trânsito tem sobrecarregado as emergências cariocas e desenhado um perfil preocupante de vítimas na Zona Oeste. Entre 2024 e 2025, o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo e gerido pela organização Viva Rio, contabilizou mais de 8 mil atendimentos a pessoas acidentadas. Desse total, as quedas de motocicleta despontam como a principal causa de entrada na unidade, respondendo por 44,5% dos casos. O cenário mantém uma regularidade alarmante. Somente no ano de 2025, a unidade realizou 3.289 atendimentos decorrentes de sinistros viários. As quedas de moto lideraram isoladas com 44,4%, seguidas de perto pelas colisões entre carros e motocicletas, que somaram 27,5% das ocorrências.


A tendência de alta não dá trégua em 2026. Dados colhidos entre janeiro e abril deste ano já apontam 765 atendimentos no hospital. As quedas de moto continuam no topo do ranking (45,4%), enquanto os choques entre carros e motos representam cerca de 21% das admissões no período.


Raio-X da Emergência: O perfil das vítimas

A realidade do Albert Schweitzer reflete algo que afeta toda a malha de saúde do município. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, das mais de 16 mil vítimas de trânsito que deram entrada em emergências da cidade nos primeiros quatro meses de 2026, 11 mil estavam sobre duas rodas — ou seja, sete em cada dez pacientes eram motociclistas ou passageiros.


Na linha de frente do atendimento, quem lida com o fluxo diário aponta para as consequências sociais e estruturais do problema. De acordo com Alex Biage, enfermeiro da sala de trauma do hospital, o perfil dos pacientes é composto majoritariamente por jovens em idade produtiva.

"As vítimas no geral são jovens, que têm entre 20 e 35 anos, muitos deles trabalhando em aplicativos de entrega e transporte. Na maioria das vezes eles chegam em estado grave, apresentando fraturas, sangramentos e trauma cranioencefálico. Quando os acidentes acontecem durante a madrugada, frequentemente há associação com uso de álcool", relata o enfermeiro.

Biage aponta a imprudência como fator crucial para o estouro dos índices:

"Muitos jovens realizam manobras arriscadas, sem capacete e fazendo uso de álcool. A conscientização é fundamental e precisa começar nas escolas".

Impacto na rede e aposta na prevenção

O impacto desse fluxo constante de feridos graves afeta diretamente a gestão de leitos e insumos da unidade. Kamila Conde, diretora-geral do Hospital Albert Schweitzer, explica que o desenho do trauma viário exige um esforço complexo do corpo médico.

"Recebemos um volume importante de pacientes com lesões graves e necessidade de atendimento imediato, cirurgias e internações prolongadas", destaca a diretora. "São traumas complexos, como fraturas múltiplas, traumatismos cranianos e lesões ortopédicas. Esses pacientes exigem a mobilização rápida de equipes multiprofissionais e tratamento intensivo."

Para tentar frear o avanço das estatísticas e mudar o comportamento do público mais vulnerável, o hospital aposta na educação. Desde 2024, a unidade desenvolve o programa “Se liga, isso é trauma!”, voltado para adolescentes e jovens de 15 a 29 anos.


Realizado em parceria com o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, o projeto já está em sua oitava edição e levou cerca de 300 participantes (entre estudantes de escolas públicas e jovens aprendizes) para conhecer de perto a rotina e o impacto real de uma sala de trauma hospitalar.



A estratégia busca conscientizar os futuros condutores antes que eles entrem para as estatísticas.

"Do ponto de vista da saúde, a melhor estratégia sempre será a prevenção. Cada acidente evitado reduz a sobrecarga das emergências. Mais do que tratar vítimas após o acidente, precisamos trabalhar para que ele não aconteça", conclui Kamila Conde.

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