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Livro propõe autoconstrução e regularização fundiária para transformar Realengo e bairros da Zona Oeste

  • Writer: Alexandre Madruga
    Alexandre Madruga
  • 2 hours ago
  • 3 min read

Com foco em 22 bairros da região, o construtor Carlos Machado Brito lança obra no segundo semestre de 2026 projetando 200 mil moradias e implantação de VLT como saídas contra a violência.



A expansão urbana desordenada e os índices de criminalidade que historicamente assolam o Rio de Janeiro ganharam uma proposta de enfrentamento que vem do próprio setor produtivo. Com mais de meio século de atuação na construção civil e no ativismo comunitário da Zona Oeste carioca, o empresário Carlos Machado Brito se prepara para lançar, no segundo semestre de 2026, o livro “O empresário construtor e o João de Barro”. A obra independente funciona como um manifesto técnico e social, defendendo a autoconstrução e a regularização fundiária como pilares para o desenvolvimento econômico e a redução da violência.


O cerne da proposta de Brito é ambicioso: estruturar a construção de 200 mil habitações espalhadas por 22 bairros da Zona Oeste — incluindo polos estratégicos como Realengo, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz — ao longo dos próximos 30 anos. O método, inspirado na persistência e inteligência do pássaro João-de-barro, aposta na emancipação das famílias por meio da força de trabalho própria, mas com o devido respaldo técnico e legal.

“Não conseguia mais ver a violência crescendo a cada dia, sem fazer nada. Com a nossa proposta, podemos mudar esse cenário”, afirma o autor. “O desenvolvimento urbano planejado pode mudar a vida das pessoas e impedir que muitos jovens sejam empurrados para a criminalidade.”

O resgate econômico através da propriedade privada

A publicação surge em um momento em que a habitação popular pressiona o orçamento das famílias de baixa renda. Brito aponta distorções no mercado informal das comunidades cariocas, onde moradores chegam a pagar cerca de R$ 500 mensais de aluguel por habitações precárias — valor que, segundo ele, poderia ser convertido nas parcelas de financiamento da casa própria.


Para viabilizar essa transição, o livro aborda ferramentas jurídicas e urbanísticas contemporâneas, tais como direito real da laje e regularização fundiária; garantia do direito de propriedade formal e aperfeiçoamento de programas habitacionais existentes, como o Minha Casa, Minha Vida.


Ao tirar os cidadãos da informalidade, o empresário prevê a ativação de um ciclo econômico virtuoso em locais como Realengo e adjacências. A região da Zona Oeste concentra mais de 350 mil habitantes, mas ainda carece de investimentos públicos proporcionais ao seu tamanho. A tese é referendada por uma máxima do ex-governador Marcelo Alencar, frequentemente citada por Brito:

“O Rio de Janeiro só se salva pela Zona Oeste”.

Infraestrutura e Mobilidade: Um VLT para integrar a região

Uma das principais críticas a projetos habitacionais de grande escala é o isolamento dos novos bairros. Brito rebate o ceticismo propondo soluções integradas de mobilidade, como a implantação de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) interligando Realengo aos demais centros urbanos da Zona Oeste.

Para o autor, a demanda habitacional é o principal motor para a chegada de serviços. “Muita gente diz que vai faltar condução, mas isso muda naturalmente quando as moradias começam a ocupar os espaços. O desenvolvimento atrai infraestrutura, transporte, comércio e investimentos”, prevê.

Urbanismo contra os dados de violência

A urgência do debate é respaldada por indicadores sociais sensíveis. Dados do Atlas da Violência, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontam o Rio de Janeiro com o terceiro maior número absoluto de jovens vítimas de mortes violentas no país. Embora o estado tenha apresentado a maior queda nacional em homicídios entre 2023 e 2024, a taxa de letalidade ainda supera a média do Brasil.


Na apresentação do livro, o professor Arnaldo Menezes define o texto como um espaço de convergência voltado para o desenvolvimento urbano calcado na responsabilidade social do empresariado. A obra também resgata o histórico de movimentos comunitários que, desde a década de 1980, pleiteiam a emancipação e a valorização de bairros que historicamente foram deixados em segundo plano pelo poder público.

“Esse livro nasceu da experiência de quem viveu a construção civil e a realidade local por décadas. Quero mostrar que ainda é possível pensar um Rio de Janeiro mais humano, organizado e com oportunidades”, conclui Brito.

Quem tiver interesse no livro, mais informações pelo (21) 2413-2126 ou e-mail: biplanbritoimoveis@yahoo.com.br

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