• Isaac Grangeiro

Entregadores de aplicativos passam por dificuldades no shopping de Sulacap

Esperar por pedidos na chuva, ser desrespeitado por restaurantes e clientes, é rotina para os entregadores

Motoboys sofrem com tarifas baixas e a desumanização da classe. Todos os dias, os entregadores no shopping em Sulacap, aglomeram na frente do estacionamento de maneira organizada à espera de pedidos por aplicativos Ifood e Uber Eats. Com o aumento do desemprego no país, muitos optaram à trabalhar nos aplicativos de entregas, com a promessa de que iriam ser bem remunerados, mas se deparam com valores extremamente baixos e a falta de reconhecimento por parte dos restaurantes e clientes.


Restaurantes, síndicos de condomínios e clientes desrespeitam e criminalizam a classe. Muitos restaurantes do bairro pedem para o entregador esperar de 30 minutos até uma hora para retirar o pedido de apenas um cliente.


John Alves, um dos motoboys da Uber Eats, reclamou das condições de trabalho:

Cinco reais é muito pouco, o aplicativo não paga por quilometragem, fazendo com que façamos viagens longas com pouco lucro. Acho que o Ifood paga bem melhor que a Uber. O aplicativo tinha que ter valores mais próximos do Ifood.

Sobre o desrespeito dos clientes e restaurante, o entregador relatou:

Desrespeito tem todos os dias, os clientes acham que somos escravos, nós temos que quase entrar na casa do cliente e servir o lanche, porém somos obrigados pra não ser avaliado mal.

Por outro lado, clientes também não facilitam a vida do trabalhador. Quando o restaurante erra algum pedido, o cliente tende a acusar o entregador de roubo ou algo pior. Quando há denúncia, mesmo que injusta, o entregador automaticamente é bloqueado da plataforma, perdendo assim, seu trabalho. Muitos síndicos mandam deixar a moto e todo o equipamento de trabalho na rua, o entregador tem que subir com todas as entregas em sua mãos, sem nenhum equipamento, para a casa do cliente, com o perigo da sua moto ser roubada por bandidos na região.

O aplicativo não é um trabalho vinculado a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ou seja, não é possível recorrer à justiça, deixando o prestador de serviço sem nenhuma opção. Muitas pessoas estão trabalhando no aplicativo, dificultando ainda mais a classe. Pois, existe uma grande quantidade de entregadores para poucos pedidos e pouca remuneração. O Uber Eats e Ifood, que antes era uma esperança para os desempregados, ou pessoas que queiram complementar a renda aos finais de semana, se transformou em um desespero para muitos.


No Parque Shopping Sulacap, os motoboys não tem sequer um lugar para esperar os pedidos e acabam esperando do lado de fora. Quando chove, todos esperam na chuva ou tentam encontrar espaço para se abrigar. Seja qual for o meio de transporte, bicicleta ou moto, hoje, são trabalhadores essenciais no bairro que correm perigo para levar pedidos aos usuários e sofrem fortes discriminações.


Jhon Alves trabalha retirando pedidos no shopping e falou das condições de trabalho:

Não temos nenhum suporte, ficamos largados na entrada do estacionamento, somos trabalhadores assim como todo mundo do shopping e não temos espaço, montamos algo improvisado.

Procurado, o Superintendente do Parque Shopping Sulacap, Mario Figueiredo, informou que está buscando solução para o problema:

Estamos fazendo um estudo para realocar os trabalhadores de motos e vamos resolver o mais rápido possível


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