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  • Leandro Borges - Fisioterapeuta

FISIOnews | Esclerose Múltipla: conheça a doença que afastou a atriz Claudia Rodrigues da profissão


Muito se falou nessa doença quando a atriz Claudia Rodrigues, de 46 anos que interpretou a Marinete, de A Diarista, apresentou os sintomas e foi internada. A atriz luta contra a esclerose múltipla desde 2000.

A Esclerose Múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune , ou seja, as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. Ela não tem cura, é progressiva e não é contagiosa.

A doença é caracterizada por inflamação e destruição da mielina em indivíduos com predisposição genética. A mielina pode ser comparada a uma capa de revestimento dos fios de condução dos nossos impulsos nervosos, e é responsável pela alta velocidade de condução desses impulsos, sendo considerada uma doença desmielinizante.

Estima-se que atualmente 35 mil brasileiros tenham Esclerose Múltipla, afetando adultos jovens, principalmente mulheres entre 20 e 45 anos. Os homens também são afetados, embora com menor frequência.

A evolução varia bastante, podendo se manifestar sob quatro padrões, são eles:

  1. Surto-remissão: é o inicio da doença, os sintomas duram de 24 horas a três semanas e desaparecem totalmente, podendo deixar mínima sequela. O paciente pode, por exemplo, acordar pela manhã com perda ou diminuição da visão em um olho, recuperando-a espontaneamente após alguns dias.

  2. Primariamente progressiva: há uma progressão lenta desde o início da doença, sem a ocorrência de surtos. Incide em menos de 15% dos casos.

  3. Secundariamente progressiva: após um longo período na forma surto-remissão, a doença vai progredindo com agravamento da incapacidade, ela incide em cerca de 50% dos pacientes após dez anos do início da doença.

  4. Progressiva recorrente: é progressiva desde o início, mas está associada a surtos. Há progressão da doença entre os surtos. É a forma mais rara da doença.

Sinais e sintomas mais comuns:

  • A fadiga é o sintoma mais comum, relatado por cerca de 50% a 90% dos pacientes;

  • As parestesias (dormências ou formigamentos), nevralgia do trigêmeo (dor ou queimação na face), é uma queixa comum na sua fase evolutiva;

  • A neurite óptica (visão borrada, mancha escura no centro da visão de um olho, embaçado ou perda visual), diplopia (visão dupla), é um dos sintomas mais comuns no início da doença.

  • A parte motora está também afetada, com a perda da força muscular, espasmos e rigidez muscular (espasticidade), alterações dos movimentos voluntários (tremores, inabilidade manual, incoordenação), alterações no modo de andar (desequilíbrio, tropeços), dificuldade de articulação das palavras (disartria).

  • Dificuldade de controle urinário e intestinal. A queixa mais comum é em relação ao funcionamento da bexiga, como sensação de bexiga cheia ou vontade de urinar mesmo com pouco volume de urina no seu interior (urgência urinária), ou perda involuntária de urina (incontinência urinária);

  • Problemas de memória, atenção, e do processamento de informações, afetam cerca de 50% a 65% dos portadores da doença. Essas alterações podem ocorrer a qualquer momento durante o curso da doença, mesmo no seu início;

  • Alterações de humor, depressão e ansiedade.

Diagnosticar a doença precocemente faz toda a diferença. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maior a chance de modificar a longo prazo o curso natural da esclerose múltipla, reduzindo o número de surtos, lesões e sequelas neurológicas.

A fisioterapia é considerada parte fundamental do tratamento da Esclerose Múltipla. É importante que os responsáveis por esses programas de reabilitação estejam conscientes das dificuldades que cada paciente. A fisioterapia busca a mobilidade, melhora o desempenho nas atividades diárias, reduzem a fadiga, além de prevenir complicações decorrentes da doença.

Os pacientes com fraqueza muscular irão se beneficiar com programas de fortalecimento muscular, assim como pacientes com espasticidade se beneficiam de programas de alongamentos musculares.

Os exercícios são também realizados para melhorar o desempenho em tarefas específicas, ou seja, exercícios que promovam movimentos funcionais, como os treinos de transferências, marcha e equilíbrio, com isso reduz significativamente as quedas, aumentando a segurança do paciente para exercer suas atividades diárias.

Durante os momentos de surto, é melhor não realizar atividades físicas intensas, já que esse é um período de maior fraqueza muscular. O ideal é esperar pelo menos duas semanas após o surto para retornar às atividades.

A fisioterapia respiratória costuma ser mais indicada numa fase mais avançada da doença quando o sistema respiratório encontra-se debilitado. Na fisioterapia respiratória pode-se utilizar pequenos aparelhos, capazes de fortalecer os músculos respiratórios e mobilizar secreções, mas os exercícios respiratórios também são muito importantes para facilitar a respiração e torná-la mais eficiente, diminuindo o risco de sufocamento.

Além dos aparelhos o fisioterapeuta pode utilizar os recursos manuais. Estes são formados por técnicas manuais específicas de terapia respiratória, manobras cinesioterapêuticas, que têm como objetivos evitar o surgimento de complicações respiratórias, melhorar as disfunções toracopulmonares e aumentar o condicionamento físico e respiratório do paciente.

As manobras cinesioterapêuticas respiratórias podem ser associadas à técnica de drenagem postural, a fim de facilitar a drenagem das secreções para vias aéreas mais centrais com a ajuda da força da gravidade. Além disso, pode-se usar a inaloterapia, com o objetivo de umidificar e facilitar a eliminação de secreções. Nesta técnica o paciente inala gotículas de ar umedecido evitando assim, o aumento da viscosidade e acúmulo das secreções.

A respiração diafragmática, estimulação da tosse efetiva, drenagem postural e técnicas de reexpansão segmentar são essenciais para evitar o acúmulo de secreção, com conseqüentes infecções respiratórias, e manter a mobilidade pulmonar. Mudanças de posição no leito também podem evitar os distúrbios pulmonares.

Ainda não se conhece nenhuma cura para a esclerose múltipla. Na maioria dos casos o tratamento é medicamentoso e em casos muito específicos é realizado o transplante de medula óssea. O tratamento farmacológico é à base de drogas imunomoduladoras e imunossupressoras. Os sintomas motores e neuropsiquiátricos são habitualmente tratados com medicamentos ou com técnicas de reabilitação.

Leandro Borges é Fisioterapeuta e Instrutor de Pilates, Pós-graduado emTraumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais.

Contato: 99550-9212 ( whatsapp )

Email: leandrorjfisio@hotmail.com

Blog do Facebook: Fisiot. Leandro Borges

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