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  • Foto do escritorDa Redação

Hospital público de Realengo registra aumento de 66% nos casos de violência sexual infantil

Houve um crescimento de 66% nos casos de violência sexual infantil contabilizados pelo Hospital Municipal Albert Schweitzer. Em 2022, foram registrados 27 casos, que subiram para 45 atendimentos em 2023, envolvendo crianças e adolescentes entre 0 e 18 anos. Os dados foram notificados para marcar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que acontecerá no dia 18 de maio, data que reforça a importância da sociedade mitigar os casos. 


Na próxima segunda-feira, dia 20, o hospital vai lançar a campanha “Criança é pra sorrir, não se envergonhar”, que vai intensificar os treinamentos para os profissionais envolvidos no processo de atendimento a vítimas de abuso e exploração sexual infantil e palestras para os usuários da unidade. A ação também conta com produção de material informativo, voltado para os usuários e comunidade do entorno, como cartazes, cartilhas e vídeos, que serão divulgados dentro do hospital e nas redes sociais. 

O Hospital Albert Schweitzer está localizado em Realengo, tem 396 leitos e realiza mais de 150 mil atendimentos de urgência e emergência por ano. As agressões são, em sua maioria, contra negros e mulheres. Em 2023, 70% dos casos registrados na emergência foram contra pessoas negras, já contra meninas, os dados representam mais de 84% do total. Só em 2024, até abril, já foram notificados 16 casos de violência sexual infantil, sendo metade deles de meninas. 


No estado do Rio de Janeiro, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), ano passado foram registrados cerca de 3 mil casos de violência sexual, sendo 1.612 de crianças e adolescentes, mais de 53% do total. Os números nessa faixa etária também apresentaram aumento de 5,7% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 1.525 casos. A maioria das agressões são contra meninas (87% em 2023) e negros (69.45%, entre pessoas de 0 a 19 anos). No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam mais de 200 mil casos entre 2015 e 2021.


Alan Lima, coordenador da Pediatria do Albert Schweitzer acredita que o aumento das notificações de violência sexual no hospital reflete o preparo da equipe multidisciplinar em identificar esses casos.

“Há dois anos temos um projeto de educação permanente e continuada com os nossos profissionais, que inclui diversos temas importantes, como a  importância de identificar maus tratos. Como consequência disso, temos percebido essas situações de forma mais eficaz”, explica.

O médico também explica como os casos são reconhecidos.

“Se existe alguma queixa, sinal ou lesão, fazemos um atendimento multidisciplinar, para que a criança tenha um ponto de apoio, de segurança. Também acolhemos a família, de maneira nenhuma fazemos apontamentos sem ter certeza, mas ampliamos o diálogo para que família e vítima se sintam seguros”, comenta. 

Em um atendimento onde se suspeita de violência sexual, há acompanhamento com uma equipe multidisciplinar, composta por diversos profissionais, entre eles médico, psicólogo, assistente social, enfermeiro e técnico de enfermagem, para que haja um diagnóstico correto. A equipe segue as diretrizes do Ministério da Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde. Após o atendimento, os responsáveis são orientados quanto à importância do acompanhamento em saúde mental e a vítima é encaminhada para a rede de referência, dando continuidade ao tratamento em uma unidade básica de saúde. 


O coordenador da Pediatria do Hospital Albert Schweitzer destaca a parceria com as Clínicas da Família da região, que visam levar conhecimento tanto à população quanto aos profissionais da saúde:

“Desde que o Viva Rio chegou ao Albert, foi iniciada uma aproximação com as Clínicas da Família, para multiplicar conhecimento e cuidado. Realizamos ações no hospital, onde os profissionais das unidades básicas vêm realizar ciclos de conversa, também fazemos treinamentos em conjunto, com informações sobre saúde da criança e violências”.

Alan Lima reforça que levar educação para crianças e adolescentes é fundamental para minimizar esse tipo de violência.

“Precisamos munir a população de informação, essa é a maior arma que nós temos. As crianças precisam conhecer seu corpo, os limites, o que pode ou não ser feito, para que não sejam tocadas de forma indevida. Nossos pacientes precisam saber que têm um ambiente seguro onde podem se abrir caso passem por essa situação”, finaliza.
 

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