• Alexandre Madruga

Entenda a birra


A birra é uma maneira da criança expressar o que quer ou não. É a maneira que ela encontra de “falar”, quando na verdade, não saber expressar verbalmente o que deseja, e ela faz parte do desenvolvimento. Por mais que os pais sejam os mais amorosos, vivam em um ambiente harmonioso, ensinem regras e deem limites, elas vão acontecer em alguns momentos. Ou seja: vamos entender que a birra, é uma manifestação natural da criança, devido ela não ter encontrado ainda, uma forma de expressar no mundo, quando se frustra. Só que isso, na maioria das vezes, desagrada os adultos. Mas precisam se preparar, porque a birra é muito comum até ou 3, no máximo 4 anos de idade.

A diferença é a frequência, intensidade e o prolongamento dessa birra. Não existe um padrão normal ou não em relação a frequência e a intensidade. Depende da sensibilidade de cada criança e de cada família. Mas é certo que, uma criança que faz birra várias vezes ao dia precisa de ajuda. Na verdade, a criança e os pais precisam de ajuda, mas a criança em especial, porque ela se desgasta muito a cada acesso.

A intensidade vai depender muito dos pais cederem ou não a cada acesso, porque quando cedem há um incentivo no pensamento da criança: se eu insistir, vou acabar conseguindo”. No que diz respeito ao prolongamento, pode permanecer até a fase adulta, tornando a vida familiar desgastante demais. Só que o prolongamento vai depender de como os pais agirão mediante a tal birra. Esse prolongamento é muito perigoso, porque na fase adulta, vão se deparar com o mundo, que nem sempre será da forma deles, nem sempre receberão o sim, nem sempre as pessoas vão ceder, as dores surgirão, e a probabilidade desses adultos buscarem compensações das suas frustrações, é grande, e é quando buscam o álcool, ansiolíticos, calmantes, entre outros.

Existem dois tipos de birra: 1) INTENCIONAL- que é pra uma pessoa específica (mãe, pai, cuidador, avós), após ter negado algo. E os adultos que muitas vezes não aceitam essa pressão, acabam cedendo. E cedendo reforçam positivamente a birra, e elas sabem que toda vez que quiserem algo, é só fazer a birra que estará tudo certo. Saibam que adultos que cedem, viram reféns dessas crianças e suas vidas se transformam em um verdadeiro estresse. E quanto mais cedem, mais birras vão acontecer, e quanto mais birras, mais ansiedade nos adultos. Esse comportamento de birra sendo reforçado por anos e anos, aumenta a intensidade, a frequência e o prolongamento, e os próprios pais vão contribuindo para adultos intempestivos e birrentos. O que fazer mediante a essa birra intencional?

Os pais que se mantem calmos tem mais chances de ajudar essa criança a mudar seu comportamento, o mesmo pode ser dito do professor. Descobrir o que está acontecendo é fundamental. A birra pode não estar relacionada a um objeto negado, ou uma ida ao parque negada, ela pode estar encobrindo outras insatisfações infantis. Pode ser a qualidade de tempo com os pais, essa criança pode estar brincando pouco, ou podem ser questões fisiológicas como: sono, fome ou sede.

Levem-na para um local sem muita plateia e julgamentos, e de forma calma e tranquila, sem machucar ou gritar, converse.

Temos que entender que a birra é manifestação de frustração, e que essa pode ser uma oportunidade de aprendizado. Podemos mostrar a essa criança formas mais inteligentes de lidar com as negativas.

2) IMPREVISÍVEL –é quando um turbilhão de emoções toma conta da criança e ela reage confusamente. Esse tipo de birra pega todos de surpresa, inclusive a criança!!! Ocorre um grande desconforto e um mal estar generalizado e a criança se expressa dessa forma, gritando, chorando, quebrando objetos, é reação fisiológica. Correm o risco inclusive de se machucarem, baterem com a cabeça, se arranharem, e por isso o adulto deve protege-lo.

Chamamos essa birra, de sequestro da amigdala. E como lidar com esse sequestro da amigdala (faz parte do sistema límbico e processa tudo relacionado a nossas reações emocionais , como raiva, medo e instinto de sobrevivência)?

Com crianças de até 1 ano e meio aproximadamente, distraindo para outro estímulo, já acalma, como dançar, mostrar algum objeto colorido, algum bichinho, cantar; pouco a pouco ela vai voltando a tranquilidade emocional e física.

Com crianças maiores,olhe nos olhos, na altura da criança e fale dos sentimentos que ela está sentindo no momento, que normalmente é o de frustração, e que gera : mal estra generalizado, impaciência, irritação, calor. O adulto deve olhar nos olhos da criança e dizer que sabe o que ela está passando naquele momento, em tom firme de voz mas ao mesmo tempo acolhedor, que já passou por isso também, e que juntos podem resolver, juntos podem encontrar uma solução. Normalmente, nesse tempo a criança já retomou, já voltou ao seu estado tranquilo.

Adultos que não são emocionalmente inteligentes, e não podem ajudar no momento da birra, correm o grande riscode sedimentarem esse hábito na criança, de agirem intempestivamente daí pra frente, até a fase adulta. EX: Viram “galinho de briga” . Ficam como um fio desencapado.

Renata Cyríaco é Fisioterapeuta, gestora escolar, pós graduada em educação especial e inclusiva, Coach Infantil e pós-graduando psicopedagogia clínica e institucional. Facebook : @renatacyriacokc • Instagram: Renata Cyríaco KC


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