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10 anos da Rio 2016: Parque Radical de Deodoro muda vidas de jovens cariocas através do esporte

  • Writer: Alexandre Madruga
    Alexandre Madruga
  • 3 hours ago
  • 2 min read

Há exatamente uma década, o Parque Olímpico de Deodoro recebia milhares de atletas e torcedores do mundo inteiro para a Rio 2016. Hoje, transformado no Parque Radical de Deodoro, o espaço é um refúgio esportivo e social dentro da Zona Norte do Rio de Janeiro — e um dos exemplos mais vivos do legado olímpico na capital fluminense. Para além de abrigar competições e treinos ao longo de todo o ano, o Parque se tornou um divisor de águas na vida de jovens do bairro de Ricardo de Albuquerque, localizado a 30 km do centro do Rio. Entre eles estão o atleta e instrutor de canoagem Gabriel Albuquerque e a estudante de jornalismo Beatriz Batista.



Atualmente, o Parque Radical atende 5.000 alunos inscritos em diversas modalidades gratuitas — que vão da capoeira e natação à hidroginástica. Desde 2021, o espaço também oferece a canoagem slalom, projeto que atrai dezenas de jovens locais.

Gabriel começou na canoagem por um motivo simples: queria aprender a remar para pescar com o pai. O que começou como brincadeira em 2022 virou paixão e, em pouco tempo, profissão.

"Eu vim para fazer a minha inscrição e, quando comecei, foi uma experiência diferente, aquilo ali mexeu comigo. A partir dali eu comecei a vir todos os dias."— Gabriel Albuquerque

O avanço rápido de Gabriel chamou a atenção até de grandes nomes da modalidade. A canoísta olímpica Ana Sátila incentivou o jovem a encarar o percurso completo do canal, tornando-o o primeiro carioca pós-Rio 2016 a descer a pista Olímpica. Hoje, Gabriel divide a rotina entre os treinos profissionais, o curso de Física no IFRJ e as aulas que ministra como instrutor do próprio Parque.



A trajetória de Beatriz Batista (Bia) também cruzou com a história do Parque Radical após o fim do ensino médio. Recomendada a praticar exercícios por razões de saúde, ela ingressou na canoagem aos 15 anos e encontrou no espaço uma rede de apoio.

Mais tarde, ao surgir uma oportunidade para gerenciar as redes sociais do Parque, Bia assumiu o desafio e passou a integrar o projeto TV Parque. A experiência despertou sua verdadeira vocação professional.

"Estou fazendo Jornalismo por causa desse espaço. Mas não é só a minha história. São muitas 'Bias' que passam por aqui... Pessoas que saem da depressão, que se movimentam e que não tinham acesso antes."— afirma Beatriz Batista.

A reestruturação urbana trazida pela Rio 2016 — incluindo a via expressa TransOlímpica — encurtou distâncias e ampliou o acesso dos moradores do subúrbio a serviços, lazer e oportunidades. Dez anos após a pira se apagar, Deodoro prova que o legado esportivo vai muito além do topo do pódio.

"Muitas pessoas falam que eu sou o 'legado Olímpico'. O que esse lugar fez por mim me proporcionou coisas que, se você me contasse lá atrás, eu não acreditaria. O legado mudou a minha vida."— finaliza Gabriel Albuquerque.

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