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PSICOnews | Espelho, espelho meu!

Recorrer ao mito de Narciso para falar sobre a dificuldade de amar e de perder das novas gerações, pode parecer algo banal. Porém, parece evidente que uma nova espécie de "Narciso moderno" começa a se configurar no terreno da realidade, principalmente no que diz respeito a arte de relacionar-se com o mundo e consigo próprio.

 

Quase que automaticamente, tentamos aproximar tudo aquilo que nos parece distante e por consequência, a afastar tudo aquilo que está a nossa volta.

 

Para exemplificar um pouco mais a esse respeito, relato hoje ao caro leitor, uma vivência pessoal recente que, acredito ser matéria essencial no exercício de uma reflexão um pouco mais apurada, sobre as nossas verdadeiras relações humanas nos tempos atuais:

 

Chega um exuberante casal. Dois rapazes dignos de se fazer  lembrar uma famosa escultura de Michelangelo. Sentam um ao lado do outro para apreciar a praia. Mas que praia?  Pareceu-me que a praia da vida real era o que menos importava.

 

Iniciam o festival de fotos, selfies, poses, sorrisos e aquele já conhecido ar de alegria absoluta, presente apenas nas famílias dos famosos comerciais de margarina. Ou como costumamos dizer, aquela olhar de quem tem a "vida ganha".

 

Terminam depois de um considerável tempo, trocam meia dúzia de palavras e  pedem gentilmente que tomemos conta de seus pertences antes de adentrarem o mar. 


Retomam seu lugares rapidamente insinuando mais algumas selfies... 


Enquanto a água seca, senti que pareciam buscar incansáveis, alguns  retoques, possíveis apenas naqueles aplicativos especializados nos truques fotográficos. 


O tempo não tarda e revela um tímido e sutil afago, que parecia denotar um desejo quase que esmaecido do casal naquele lindo final de tarde de verão.

 

Levantam-se, arrumam-se como se fossem pra uma festa e retiram-se em silêncio...


Esquecem apenas de um detalhe.
A foto lado a lado em parceria não acontece.


A silueta da sombra que afastava-se na areia quente e dourada tinha cara de solidão...

E foi aí que lembrei do velho personagem que morreu condenado e isolado em sua própria beleza, olhando sua imagem refletida na água de um lago.

 

Triste? Acho que não... 
Até porque aqui não nos cabe qualquer julgamento.

 

Apenas um momento para pensar o que isso tudo quer dizer nos dias de hoje.

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