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POLÍTICAnews: Povo do estado do Rio foi humilhado pela ALERJ

November 18, 2017

Jorge Picciani, presidente da ALERJ, foi solto ontem, após articulação dos parlamentares fluminenses.
 

Numa decisão já aguardada, a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro julgou constitucional a decisão final sobre a prisão do presidente da ALERJ, Deputado Jorge Picciani, e dos Deputados Edson Albertassi e Paulo Melo, todos do PMDB, ser tomada pela casa legislativa, a exemplo do que ocorreu com o Senador Aécio Neves. Dessa forma, a prisão dos parlamentares fica sem efeito legal, mesmo que tenham sido presos em flagrante, conforme despacho do Tribunal Regional do Rio de Janeiro ao expedir o Mandado de Prisão. Em mais esse  episódio de evidente corporativismo, o povo do Rio de Janeiro sai humilhado com tanta ousadia e desrespeito à democracia.

 

Os crimes cometidos pelos Deputados fluminenses são antigos e sabidos pela mídia e pelos Tribunais de Justiça do Rio. Há décadas se sabe que as empresas de transportes concessionárias do estado pagam gordas propinas aos parlamentares, para que protejam os interesses dos empresários de ônibus e a Supervia. Não bastasse, licitações fraudulentas renderam milhões de reais em propinas pagas pela Odebrecht através de superfaturamento de obras. Tudo harmonicamente orquestrado pela batuta do habilidoso e influente Deputado Jorge Picciani e do ex-governador, Sérgio Cabral. Até as refeições servidas no Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro foram superfaturadas pelos concessionários para beneficiar partidos políticos e parlamentares. Essa era uma prisão que não se sustentaria, pelo próprio poder de combustão que guardava, capaz de detonar, e mandar para os ares, toda a estrutura política do Estado do Rio de Janeiro, junto com seus agentes corruptos.
E agora? Com que moral o povo Fluminense vai encarar a luta a partir de segunda-feira? Já não há mais nada que falte acontecer no quesito imoralidade na política brasileira. E o povo brasileiro parece perdido e não acreditar no que assiste. Como se estivesse em um ringue de luta de Box a levar sucessivos golpes, não consegue reagir. Alguns mais indignados, ao não acreditarem nos meios legais e na morosa burocracia da justiça, encontram na violência e depredação os únicos meios para expressarem sua indignação. Onde está a democracia? 

 

Os poderes da República estão tão hermeticamente fechados nos interesses de seus representantes, que a tão temida ditadura do período pré-redemocratização ficou reduzida ao período de menor democracia. Não há regime político que possa ser definido e julgado fora do seu contexto histórico. O que parecia insuperável em termos de crueldade e desrespeito aos direitos do cidadão, nos anos 60 e 70, encontra hoje um paralelo que supera qualquer período histórico de nossa maculada República, em termos de truculência e desrespeito à Constituição Federal. Parlamentares são piores que os Coronéis das primeiras décadas do século XX. Como podem esses monstros do Palácio Tiradentes terem sido gestados nas urnas? 

 

A lição maior nos faz crer, cada vez mais, que é mais simples e rápido prender negros pobres, do que aplicar a justa pena às elites políticas dos três poderes. Esses estão protegidas por muros construídos por eles mesmos. O Rio vai amanhecer mais triste, e a imoralidade vai ganhando o contorno de cultura, até que tudo seja permitido sem que se possa reclamar.

 

Saulo Souza é Jornalista, professor de História e Filosofia, pós-graduado em Comércio Internacional e Finanças - FGV RJ. Atuei como Editor do Jornal Folha do Turismo, Redator da Folha Dirigida, Assessor de Imprensa da Associação de Hoteleiros de Itatiaia e Penedo, fundador e Editor do Jornal Folha da Praia em 1992, Repórter policial do jornal O Dia.

 

 

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