• Tatiana Galvão

Vacina infantil altera DNA?| Voz da ciência com pesquisadora e cientista Tatiana Galvão

Iniciando uma série de desmistificação de fake news sobre a vacinação infantil, você sabia que todos nós temos RNAs no nosso organismo e que os mesmos são imprescindíveis para que fabriquemos todas as nossas proteínas?

De forma bem resumida, temos dois grandes compartimentos nas nossas células. O limite total da célula que chamamos de citoplasma e um compartimento que abriga nosso DNA, chamado de núcleo.

Quando precisamos sintetizar proteínas, lá no nosso núcleo ocorre um processo chamado de transcrição. Nesse processo, o DNA consegue gerar uma fita de RNA mensageiro (RNAm) com as informações genéticas. Olha o RNA aí gente!!!! Esse RNA, diferente do DNA consegue sair do núcleo, levando a mensagem, a informação do DNA com a receita da proteína que você quer fazer lá para o citoplasma. Chegando lá, encontra toda uma maquinaria (ribossomos, RNA transportador, RNA ribossômico, enzimas) e todo o processo de tradução dessa fita de RNA começa gerando os aminoácidos. Amino o que??? Aminoácidos!!! Esses são as unidades que se juntando formam a proteína de que seu corpo precisa.

O RNA não consegue voltar para o núcleo e é logo degradado no próprio citoplasma sem fazer mal algum.

Onde é que entra a vacina de RNA nisso? Ao invés de darmos o vírus inteiro para que nosso sistema imune reconheça e monte uma resposta, os cientistas estudaram e viram que a proteína Spike presente na parte externa do vírus é que reconhece um receptor nas nossas células para, então, invadir. E que essa proteína gera forte resposta imune. Sabe quando falamos de anticorpos neutralizantes? Esses anticorpos se ligam a essas proteínas Spike no vírus e os impedem de entrar nas células.

Voltando a história do RNA, a sequência do RNA que sintetizaria a proteína Spike é entregue ao nosso corpo pela vacina. Dentro das nossas células, ele que é um RNA, participa daquela mesma maquinaria de síntese proteica que nossas células já possuem e sintetizam a proteína Spike. Voilá!!!!! E Como qualquer RNA, não tem autorização para entrar no núcleo que é super protegido e logo, não se integra e nem altera nosso DNA.

Logo ele é degradado e a proteína Spike que são estranhas ao nosso corpo, são mostradas ao nosso sistema imune que monta uma memória imunológica. Quando o vírus medonho aparecer com essa proteína na sua parte externa, o exército prontamente o ataca e nos protege. Entenderam como funciona a Biologia celular? Em breve voltamos com mais uma desmistificação em vacinas. Vacine-se e vacine suas crianças!


Tatiana Galvão é pesquisadora e cientista da Fiocruz.

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Imagem: biologianet.com



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