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  • Foto do escritorAlexandre Madruga

Moradora do Valqueire denuncia assédio dentro do Uber, mas motorista nega

Atualizado: 8 de jan. de 2022

Fato aconteceu nessa quinta-feira e postagem viralizou nas redes

Uma print de mensagem viralizou nas redes sociais nesta quinta-feira (06), com a mensagem de uma jovem dizendo ter sofrido assédio de motorista do Uber, quando a levava de Vila Valqueire, onde mora, para o trabalho no Centro do Rio. Estudante de engenharia civil, Rafaela Luccas, 24 anos, denunciou momentos constrangedores que passou dentro do carro, ouvindo todo tipo de histórias sexuais relatadas pelo motorista.

“Durante todo o percurso, o assunto era sexo, com palavras de baixo calão. (...) No meio do caminho, ele começou a virar o assunto pra minha vida pessoal, perguntando se eu era casada e se traía meu marido”. (O relato completo, sem cortes, está ao fim da matéria).

Ela fez Registro de Ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) no bairro do Tanque, em Jacarepaguá, além de apresentar três áudios que gravou do motorista falando.

Postagem feita nas redes sociais de Rafaele


O motorista de aplicativo, Marcos Paulo de 55 anos é morador do Jardim Sulacap e foi procurado pela nossa reportagem. Ele relatou que quem começou com a conversa de sexo, foi a passageira (relato na íntegra ao fim da matéria):

“A agressora deu início a um questionamento sobre o meu dia a dia, dizendo que tinha muita informação de que pessoas se comportavam de forma inadequada, oferecendo outras formas de pagamento, ao que eu ia interagindo com ela. As perguntas começaram a ficar mais diretas, a respeito de sexo, se já aceitei essa forma de pagamento, seja contato físico ou sexo oral”.

O Uber também foi questionado a enviou a seguinte nota (a nota completa ao final da reportagem):

“A Uber repudia qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e acredita na importância de combater e denunciar casos de assédio e violência às autoridades competentes. O motorista parceiro teve sua conta desativada da plataforma e a empresa se coloca à disposição para colaborar com as autoridades no curso das investigações”.

A delegada Giselle do Espírito Santo, titular da DEAM-Tanque, informou que as investigações estão em andamento.

"Outras possíveis vítimas de assédio estão reconhecendo o autor e estamos em contato direto com a vítima. Iniciamos a investigação, vamos identificar e pegar depoimento das outras mulheres para juntar aos autos".

RELATO DA RAFAELA

Me chamo Rafaela Luccas e vim contar o meu relato desta quinta-feira, dia 08 de janeiro de 2022. Eu solicitei uma corrida no aplicativo UBER de Vila Valqueire até o Centro do Rio de Janeiro. Durante o caminho, o motorista do aplicativo, Marcos, começou a contar casos que já aconteceram com ele. Tudo começou com ele falando de um casal que entrou no carro e do nada começou a falar abertamente sobre sexo. Que segundo o motorista, a menina que estava dentro do carro começou dizendo que ''estava com muita vontade de dar o cuzinho''. E, ao finalizar a corrida, esse casal não tinha dinheiro trocado, então ele ''brincou'' dizendo que então levaria a menina pra casa, quando descobriu que o rapaz não era esposo e sim irmão da menina citada.

Logo depois, citou um exemplo de uma senhora que entrou no banco da frente e apertou seu pau. Na mesma hora, ele virou pra trás e apertou minha perna, demonstrando como teria sido o aperto da senhora em seu pau. (Palavras usadas por ele). Automaticamente, eu puxei a perna.

Durante todo o percurso, o assunto era sexo, com palavras de baixo calão.

Segundo ele, em outra história, ele pegou uma passageira que ele pediu um ''boquete gostoso'', e ''ambos gozaram e ficaram felizes''.

Quando eu comecei a ver que ele não parava de falar sobre esses assuntos, eu peguei meu telefone e por diversas vezes tentei filmar. Mas ele sempre dizia ''Termina aí e depois eu falo''.

Porém...ainda sim, eu consegui fazer 3 áudios do motorista com essas palavras chulas.

No meio do caminho, ele começou a virar o assunto pra minha vida pessoal, perguntando se eu era casada e se traía meu marido. Quando eu disse que ''Não'', ele me questionou ''mas por que? Vai falar que você nunca sentiu tesão na rua, do nada?" E mais uma vez, eu disse que ''não'' e ele insistiu ''Como? Nunca pensou naquele sexo não terminado com seu marido e ficou toda melada na rua?"

Sinceramente, só de lembrar e imaginar ele falando de novo, me dá vontade de vomitar.

Eu fiquei tão apavorada, que na hora eu só pensava nas coisas ruins que poderiam me acontecer....

Então eu tentei manter a calma, responder só o que ele me perguntava e enviei mensagens pra um amigo com a foto da placa para caso algo acontecesse.

Esse meu amigo, Allan, fingiu ser meu marido e enviou áudios pra ele dizendo que estaria me esperando na porta do meu trabalho, para que de alguma forma, o motorista se sentisse coagido a realmente me levar para o meu trabalho.

Foram momentos tensos que qualquer mulher ao ler o meu relato se sentirá da mesma forma.

Quando cheguei ao meu trabalho, a primeira coisa que fiz foi relatar o assédio à plataforma da Uber e postar o meu relato no Instagram, juntamente à placa do carro do motorista da Uber.

Graças a todos as pessoas que compartilharam, o meu relato chegou até o Sulacap News e sou grata pela oportunidade de ter voz. E sinto que todas as mulheres ficaram felizes por ter dado certo, pelos menos é menos 1 assediador nas ruas.

Eu já tomei todas as medidas possíveis contra ele, já me respaldei e estou com o Registro de Ocorrência em mãos. Agora é só esperar que a justiça seja feita.

O meu intuito ao compartilhar o meu relato e a placa do carro dele, é justamente para que outras mulheres não passem pelo mesmo que eu. Para que elas tenham CORAGEM de compartilhar SIM esse tipo de coisa, para que homens como este, não saiam impunes de situações graves como esta.

Por fim, agradeço pela oportunidade e por todos os compartilhamentos.


RELATO DO MOTORISTA MARCOS

Eu trabalho como como porteiro, porém, a fim de aumentar sua renda, tenho trabalhado também como motorista de aplicativo Uber. Ontem, por volta de 8 da manhã, a agressora ingressou no meu veículo acompanhada da babá e uma criança de colo que, pelas fotos do perfil do Instagram, parece ser o filho dela. Após uns 10 minutos de trajeto, deixou a babá e a criança em um ponto do bairro Vila Valqueire e se dirigiu ao trajeto destino. Aparentemente tranquila, a agressora deu início a um questionamento sobre o meu dia a dia, dizendo que tinha muita informação de que pessoas se comportavam de forma inadequada, oferecendo outras formas de pagamento, ao que eu ia interagindo com ela. As perguntas começaram a ficar mais diretas, a respeito de sexo, se já aceitei essa forma de pagamento, seja contato físico ou sexo oral. Neste momento informei que era casado e não tinha esse tipo de conduta. Entretanto, a conversa parecia amistosa e, embora o assunto fosse diferente do habitual, não me opus tendo em vista que passo por diversas situações e, não me envolvi, até hoje, em nenhum tipo de reclamação junto a Uber. Enfim, a corrida terminou e, ao deixar a passageira, peguei outra corrida em seguida e, após finalizar esta, reportei o caso ao Uber porque a conversa realmente tomou um tom muito diferente do passageiro e motorista, tendo em vista que as perguntas feitas eram muito pontuais e pareciam querer uma resposta positiva de que eu aceitava sexo por pagamento. Continuei ´rodando´ até que, em meio a uma corrida em Copacabana, meu filho me ligou e me relatou que a passageira tinha feito uma postagem, copiando minha página de Facebook e, posteriormente, do Instagram e, mediante falsa denunciação de crime, apresentou uma calúnia a meu respeito, dizendo que cometi crime de assédio sexual, que tinha me utilizado do meio de trabalho para cometer tal crime. Na postagem ela alega que falei diversas coisas obscenas, que perguntei sobre a vida pessoal dela (quando o que aconteceu foi o contrário, ela que quis saber se eu já havia traído minha esposa). As perguntas que ela fez, querendo saber mais sobre o trabalho, tratavam de pagamentos e sim, as palavras boquete e sexo foram recorrentes na conversa. Ela expôs minha vida e minha família, informando que tenho esposa e 3 filhos. Não satisfeita em perpetrar tamanha mentira e calúnia, também decidiu retuitar a publicação pedindo para que amigos fizessem o mesmo e vários post’s com xingamentos foram feitos. Disseminando ódio contra a minha pessoa que, apavorado, decidi sair do prédio onde resido para me proteger e minha família, porque sabemos que a sociedade, assim como eu, repudiamos crimes contra mulher. Hoje fui procurado por uma pessoa que se diz ser de um jornal porque eles querem apurar a situação e querem ouvir minha versão dos fatos tendo em vista que a narrativa da suposta vítima, a agressora, não o convenceu. Temo pela minha integridade física e da minha família.


NOTA DA UBER

A Uber repudia qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e acredita na importância de combater e denunciar casos de assédio e violência às autoridades competentes. O motorista parceiro teve sua conta desativada da plataforma e a empresa se coloca à disposição para colaborar com as autoridades no curso das investigações.

A empresa defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro e desde 2018 tem um compromisso de participar ativamente do enfrentamento da violência contra a mulher, materializado em projetos elaborados em parceria com entidades que são referência no assunto, que inclui campanhas contra o assédio, podcast educativo para os parceiros e um canal de suporte psicológico para apoiar vítimas de violência de gênero na plataforma, desenvolvido em parceria com o MeToo, e que será disponibilizado para a usuária.

Segurança é uma prioridade para a Uber e inúmeras ferramentas atuam antes, durante e depois das viagens para torná-las mais tranquilas, como, por exemplo, o compartilhamento de localização, gravação de áudio, detecção de linguagem imprópria no chat, botão de ligar para a polícia, entre outros.

Vale ressaltar ainda que todas as viagens com a plataforma são registradas por GPS. Isso permite que em caso de incidentes nossa equipe especializada possa dar o suporte necessário, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado. E para reforçar a privacidade dos usuários, a Uber não mostra para os motoristas parceiros os pontos exatos de embarque e desembarque no histórico de viagens e os telefones de ambos são sempre mantidos em sigilo.

Além disso, como parte do processo de cadastramento para utilizar o aplicativo da Uber, todos os motoristas passam por uma checagem de apontamentos criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos pelo próprio motorista e com consentimento deste, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos criminais, na forma da lei. A Uber também realiza rechecagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses.

E para ajudar a verificar se a pessoa que está usando o aplicativo corresponde àquela da conta que temos no arquivo, de tempos em tempos, o aplicativo pede, aleatoriamente, para que os motoristas parceiros tirem uma selfie antes de aceitar uma viagem ou de ficar on-line.



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