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  • Alexandre Madruga

EDITORIAL: O Brasil não pode parar... Mas a Itália também não podia, e olha no que deu!


Exatamente há um mês, o prefeito de Milão apoiou um vídeo com o mesmo slogan que o presidente Bolsonaro resolveu bancar. O “Não vamos parar” italiano foi bancado por empresários, que receberam apoio governamental. Quando a campanha foi iniciada, em 28 de fevereiro, a Lombardia, região da qual Milão é capital, contava 258 casos de contaminação e o país tinha, então, 12 mortes pela doença. Agora, a Lombardia é a província italiana mais atingida pela Covid-19, com 34.889 contados até esta sexta-feira (27) e o país o de maior número de mortos: 8.215, dos quais 4.474 só em Milão. Lá como aqui, governantes pensavam que a “pequena gripe” era apenas uma doença qualquer e, lamentavelmente, a posição, sem embasamento empírico nenhum, foi paga com vidas, independente das idades.


Como de praxe do atual governo, o “ibope” é analisado pelas redes sociais e o vídeo brasileiro está sendo distribuído pela ala ideológica do presidente. Apesar da argumentação oficial que o vídeo ainda não foi aprovado para veiculação, nenhum político próximo a Bolsonaro se furtou de compartilhar sem pena e o presidente nem precisa fazer o mesmo, já que o discurso dele nas redes sociais e para imprensa vai nessa linha.


Antes de tudo, vale muito elogiar diversos ministros indicados pelo presidente, pois reconhecidamente fazem trabalhos dentro do esperado pela expectativa do povo brasileiro. Nesse momento, se destacam o Ministro da Fazenda nos bastidores e o da Saúde perante as câmeras.


É um momento de especialistas, autoridades de saúde decidirem o que fazer nesse momento atual. Pelo que acontece em todo o mundo, como a determinação da Organização Mundial da Saúde e o cancelamento das Olimpíadas em Tóquio, exemplos incontestáveis que se fechar e programar isolamento social é ideal por agora.


Mas e a economia? Assim com em todo o planeta, aos governos federais recaem a responsabilidade por custear o sacrifício necessário pela saúde de um povo (isso inclui os empresários), que não pode ter mortos de nenhum tipo de faixa etária ou quantidade. Não se pode minimizar nem ao menos um morto sequer. A busca pelo socorro da economia, não se pode ser a preço de vidas inocentes, contribuintes ou não. São vidas e elas devem ser prioridade, sempre. Não são números, são vidas. Minimizar isso é ser bem insensível.


O governo Bolsonaro já começou a tomar as iniciativas necessárias. A recessão é certa, mas quem tem mais poder de endividamento, levantar valores de investimento, gerar moeda, conduzir a economia é o governo federal. Mas isso não tira a responsabilidade dos governos estaduais e municipais.


Imagine um CTI, sala vermelha, aquela para pacientes em caso grave. Todos estão ao lado de duas camas. Uma tem o povo e outro tem a economia. Não há escolha, os dois precisam de tratamentos iguais, um depende do outro. Por isso, cabe aos estados cuidarem da maca com o povo e ao governo federal cuidar da economia.


Deixemos de ouvir políticos de qualquer lado e vamos focar em ouvir as autoridades da saúde. Ao menos esses fizeram o juramento de Hipócrates. “A Saúde do meu doente será a minha primeira preocupação”.


Hoje, o Brasil está doente e seus filhos em risco. Essa deve ser a primeira preocupação.

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