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  • Andressa Gonçalves - Estudante de Design de

CINEnews | Os Humilhados Foram Exaltados!


Os leitores mais ávidos de histórias em quadrinhos e amantes do mundo geek, sem dúvidas, já ouviram muitas piadinhas e brincadeiras sobre o personagem Aquaman. Alguns criticavam suas roupas, outros, os seus poderes, mas o fato é que agora: os humilhados finalmente foram exaltados!

Isso porque, em sua versão live-action, o Aquaman foi repaginado, finalmente está sob boas luzes nos holofotes e mostra todo o seu valor. Poderia-se dizer até que a sua franquia é uma das mais promissoras do universo DC, e que existe uma grande expectativa para que ele se torne um dos heróis mais aclamados de todos os tempos. Do esquecimento à glória.

O filme começa com uma história bem inusitada de amor: entre a rainha de Alantis, Atlanna (interpretada por Nicole Kidman) e um simples faroleiro (Temuera Morrison), isso por si só já capturou a atenção dos espectadores, que, vidrados, acompanharam com atenção todo o desenrolar da história. A narrativa do longa como um todo é leve, engraçada e bem diferente de muitos filmes de herói da atualidade, talvez seja esse o segredo que o torna quase tão bom quanto Pantera Negra e Mulher-Maravilha: a originalidade do universo em que o enredo se desenrola. Por ser tão agradável, ele não traz cansaço e deixa o espectador ansioso para assistir possíveis continuações da história. O reino de Atlantis é fantástico e se a DC souber aproveitá-lo, esta poderá ser uma das sagas de maior sucesso do cinema.

Além disso, a caracterização, maquiagem e figurinos como um todo são impecáveis, tornando tudo mais interessante. Os efeitos especiais também são muito bons e evoluíram bastante desde A Liga da Justiça; ainda assim, há espaço para melhora, já que algumas vezes eles são usados em tamanha quantidade e de tal forma, que conferem a certas cenas do filme um aspecto um tanto quando "robotizado".

A trilha sonora é uma das grandes estrelas da película, amarrando-se muito bem ao caminhar do filme. Um grande exemplo disso é em uma das cenas de ação, onde Mera (Amber Heard) corre e pula sobre telhados e toca ao fundo uma música que parece do tipo utilizado em video-games; esta foi uma sacada genial e bem humorada da edição de som, já que dá ao espectador a sensação de que ele está "jogando" com a personagem.

Sobre o personagem principal, vemos grandes diferenças entre Aquaman, ou simplesmente Arthur no longa, de sua versão animada, a começar pela aparência física: aqui, ele tem porte musculoso, cabelos e barba longos e uma postura mais confiante. Além disso, a personalidade (bem como os figurinos) também mudaram bastante: no filme, ele é "rebelde", debochado, irreverente, sarcástico, e, graças ao carisma radiante de seu interprete, Jason Momoa, se torna um personagem muito bem recebido pelo público.

Salvo em raras exceções, o filme também demonstra expertise no quesito ritmo. A trajetória do herói não ocorre nem tão rápido, nem tão devagar, todas as passagens parecem ocorrer no tempo certo, sem entediar ou confundir quem está assistindo. Temos a impressão de que tudo foi muito bem pensado, trabalhado e cronometrado.

Os vilões são outro ponto comendável do longa, salvo ocasionais clichês e "pontas soltas" (as quais não vamos comentar pela questão do spoiler), eles se mantêm bem e fazem jus ao título. O único ponto negativo a comentar seria que o Arraia Negra, que de "arraia" não tem nada, é um pouco falho em suas motivações contra o Aquaman, a história entre eles ficou mal explicada, mas isso não é considerado como um erro grave (por enquanto), pois a intenção dos produtores pode ser de explicar melhor sua relação em filmes futuros.

E ainda nesse gancho de "nem tudo são flores", precisamos comentar um pouco mais sobre os "espinhos" de Aquaman (2018):

Começamos com o romance entre Aquaman e sua "pretendente" (sem citar muitos detalhes mais uma vez em prevenção a spoilers), que pareceu um pouco forçado e com desenvolvimento rápido demais. Usando da mais pura sinceridade: ele foi totalmente desnecessário; não contribuiu em nada para o enredo, além de acrescentar mais um à enorme lista de clichês que o filme carrega.

E falando em clichês, se você é do tipo cinéfilo bem atento, vai perceber que alguns desenvolvimentos da trama são extremamente previsíveis desde o início. Talvez esse seja o maior "defeito" do longa, a previsibilidade de pontos importantes do filme; não é que os clichês atrapalhem, mas eles arrancam sem piedade a possibilidade do filme ser algo extraordinário.

Além dos clichês, temos também a questão mencionada anteriormente das "pontas soltas": Por que Aquaman teve um tutor e como se conheceram? Como ele sabia que poderia confiar nele? Como descobriu seus poderes? Por que fala em um idioma diferente em certa parte do filme e que idioma é esse? Essa e outras muitas perguntas não são respondidas, são apenas "passadas por cima" e cabe ao espectador especular suas possíveis respostas. É aquela situação do 'talvez explique em um próximo filme, talvez não'. Isso não é de todo ruim, mas esses 'espaços' no roteiro acabam causando confusão em quem assiste e, por isso, podem gerar o desinteresse em alguns.

Outra questão que também é falha é a mudança no carácter do protagonista durante o filme, que acontece de forma brusca e não convence muito. Seus valores, sua visão sobre Atlantis, tudo muda e muito rápido. Por exemplo, desde o início ele afirma piamente que não quer ser rei de Atlantis mas ao final do longa já mudou de ideia e trata a possibilidade como a melhor coisa do mundo: As pessoas mudam de ideia, mas isso leva algum tempo. Outro exemplo é em sua maneira de agir, é como se o personagem fosse "amolecendo" no desenrolar do longa... O mais próximo que vemos ele se aproximando do seu antigo eu depois dos 50 minutos iniciais do filme, é quando ele manda uma determinada criatura "se danar".

Considerações Finais: Apesar de algumas falhas pontuais, o filme apresenta um bom enredo, que prende a atenção dos espectadores e os diverte na medida certa. Para um filme introdutório, ele cumpre bem o seu papel e deixa o espectador na expectativa de uma continuação, ansioso por assisti-la. Engraçado, leve, descontraído e no geral competente. O público pareceu se divertir bastante e até aplaudiu no final da sessão.

Este filme ganha 4 de 5 estrelas e já desponta como um dos principais filmes de super-heróis da atualidade.

PS: O filme possui apenas UMA cena extra, que passa pouco antes dos créditos finais, depois disso você verá apenas o nome dos atores e de todas as equipes técnicas responsáveis pela película.

Andressa Gonçalves é Colunista de Cinema por paixão. Designer de Interiores por opção. E futura Jornalista por vocação. Escrevo também para o Expedição Musical, Portal Mais Pop, George Ezra Brasil, Indieoclock e James Bay Brasil. Música e Cinema me fascinam.

Contato: miss.gonc00@gmail.com