• Marluce Rosa - Prof. Yoga

YOGAnews | O Yoga em tempos líquidos


O conceito de pós-modernidade é bem descrito pelo sociólogo Polonês ZygmuntBauman onde ele trás em toda a sua narrativa e em sua vasta literatura a insegurança como eixo principal para os tempos líquidos-modernos.

Em seu livro Tempos Líquidos, Bauman nos trás uma reflexão sobre essas “falsas” seguranças externas que adornam a vida humana: “O “destino” está de acordo com a ignorância e o desamparo humano, e deve seu poder enorme e assustador à debilidade de suas vítimas. Na ausência do conforto existencial as pessoas tendem a se concentrar na segurança, ou na sensação de segurança.” O Yoga caminha na contramão dessa lógica evidenciada pós-moderna de Bauman, o Yoga nos trás um postulado tradicional milenar, onde a figura do Professor de Yoga não existe, como um dos meus professores narram, o professor Leandro Castello Branco.

O professor de Yoga foi um praticante de Yoga dedicado, que vivenciou o Yoga de forma prática, agida e consegue visualizar o todo para passar, também de forma prática, vivenciada, o que aprendeu e aprende com seus Mestres e Professores. Definitivamente ser um praticante de Yoga, ser um Yogi é estar na contramão dos tempos líquidos, pois preservamos a tradição e respeitamos uma cadeia discipular de Swamis, Mestres e Professores. Percebo que aí que habita a força teórica prática do Yoga: a tradição. Esse conforto existencial inexistente que Bauman aponta para os dias de hoje que é projetado no universo externo através dos objetos, pessoas, dinheiro nos trás um anestesiamento de segurança. E assim Bauman em sua incisiva afirmativa aponta que as atuais ansiedades são alimentadas pela indústria do medo e a ausência do conforto existencial.

Mas onde habita o conforto existencial? Esse conforto está em objetos, situações, circunstâncias, pessoas? Somos seres realmente tão vulneráveis ao ambiente externo? O desconforto existencial reside no medo do sofrimento. Fazemos de tudo para evitarmos o sofrimento. Mantemos relações tóxicas (por medo de sairmos da zona de conforto), mantemos empregos que não fazem mais sentidos (por medo de arriscar novos rumos), mantemos nossas máscaras sociais (por medo do julgamento das pessoas), mantemos, tantas vezes, uma vida para as mídias sociais e outra na vida real (por medo da não aceitação no mundo virtual). Penso eu, que o maior medo que carregamos durante a nossa vida é do processo de individuação. Necessitamos ainda do movimento manada... Da frase clássica que ouvimos diariamente até de crianças...Todo mundo faz isso e até pior.

Bom, o Yoga, como também formulado por Jung dentro da Psicologia Analíca, nos faz o convite para a Individuação, nos faz o convite desse conforto existencial emergir de dentro de nós. Vivemos em sociedade, porém somos seres únicos, com experiências únicas e com um Propósito de vida único. Em Yoga Nidra, pelo postulado, pela linhagem do SwamiSatyananda chamamos esse Propósito de Sankalpa. Bom, respondendo a pergunta acima: onde habita o conforto existencial? Arrisco-me a dizer em nossoSankalpa, em nosso Propósito Terreno. Ecomo eu sei que alinhei o meu Propósito Terreno? Através de um verdadeiro e intenso investimento em Autoconhecimento para individuar-se.

“Encontrar um sentido profundo da vida é mais importante para um indivíduo do que tudo o mais, e é por esse motivo que o processo de individuação deve ter prioridade”. - Jung

Marluce Rosa (CREF 028352- G/RJ) é Profissional de Educação Física, Pedagoga especialista em Psicomotricidade e Professora de Yoga no Espaço LumarceYoga

#Yoga

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