• Alexandre Madruga

O ônibus da discórdia e que ninguém quer na porta


Linha para Nova Iguaçu mudará ponto final após reclamação de moradores

Após a inauguração da Transolímpica em 2016, a Cet-Rio realizou diversos ajustes viários nas ruas do Jardim Sulacap. Alguns impactaram diretamente passageiros de algumas linhas de ônibus, que foram para o Terminal BRT Marechal Fontenelle ou remanejados para pequenas ruas do bairro.

O retorno do “U”, que liga a Rua Fernandes Sampaio e Estrada do Catonho, tinha os pontos finais das linhas 793 e 795 (Sulacap-Pavuna), que foram deslocadas para dentro do novo terminal, assim como a linha 300 (Sulacap-Centro), que fazia ponto na Rua Teodoro Sampaio com Oliveira Martins. A linha 888 (Sulacap-Barra) foi desativada devido criação do BRT. De acordo com a Cet-Rio, o retorno do “U” foi totalmente liberado e não teria mais nenhuma parada de ônibus, pois a via teria maior fluxo de carros devido a inauguração da via expressa.

Mas o grande problema foi a linha intermunicipal 434L, da empresa Nilopolitana, que liga o bairro a Nova Iguaçu. Na época, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) instalou provisoriamente o ponto final na Praça H, pois não poderia ir para o novo terminal devido a falta de espaço para a colocação de mais outra linha, já que foram instaladas lá as linhas 801, 803, 793, 795 e 300. Problema que o “provisório” caminha para completar o segundo aniversário.

Com a linha intermunicipal ficando na Praça H, o descontentamento dos moradores do entorno aumentou exponencialmente. As reclamações eram diversas, desde alta velocidade dos ônibus até destruição do asfalto da Rua Gonçalo Rolemberg, onde ficava o ponto final.

- O problema está no fato de antes do ponto ser mudado, o asfalto estava inteiro (com seus remendos, mas ainda acessível). Hoje está impraticável passar a pé. Já não tínhamos calçada por conta das plantas que foram crescendo, caindo e perdemos o canto da rua pelos buracos e ônibus estacionados. Para atravessar, precisamos ir para o meio da rua. Acho muito justo a mudança de ponto, mas também espero que consertem o estrago feito. - sentencia Vitor Coutinho.

Após um abaixo assinado com pouco mais de duas dezenas de assinaturas, apenas com moradores próximos a Praça H, a Associação de Moradores de Sulacap (AMISUL) encaminhou o pedido de retirada da linha do local em abril do ano passado.

- A associação pediu a retirada da praça H porque foi alegado ser provisório e devido aos danos na rua, além de questionar o porquê de não ir para o terminal. – afirmou Renata Almeida, presidente da AMISUL. Para o Consórcio BRT, as paradas de ônibus na capital são de responsabilidade da SMTR, que define onde são os pontos dos veículos. De acordo com a SMTR, o Terminal Marechal Fontenelle é uma concessão para linhas municipais e a 434 é intermunicipal.

Após vários trâmites, no final de novembro a SMTR deu parecer favorável para que a linha saia da Praça H. De acordo com a Prefeitura, qualquer alteração é definida com base em análise técnica de viabilidade e impacto viário realizada pela SMTR. Assim como da primeira vez, nenhum morador é consultado. O grande problema é que para outros moradores, o problema apenas trocou de lugar, pois a secretaria decidiu colocar o novo ponto final onde ficava a linha 300.

- O prático seria na rodoviária. Agora a linha vai danificar tudo por aqui, só vai mudar o problema de local. Se alegam que na Praça H não tem infraestrutura para ter um ponto final de linha, que aponte a infraestrutura oferecida no antigo ponto final do 300, apenas uma. – questionou Hércules Tavares.

Mas alguns outros ficaram satisfeitos, pois o 434 passaria a atender um local do bairro sem nenhum ônibus e daria mais movimento ao local.

- Pra mim esse ônibus indo pro antigo ponto do 300 vai ser melhor ainda. Ando menos, solto mais perto de casa, o que facilita principalmente quando as pessoas chegam tarde e as ruas daqui agora estão desertas sem ter um ônibus passando por aqui direito. – disse Carol Noronha.

A certeza é que não há unanimidade dentro do bairro. Enquanto isso, a Nilopolitana vai atendendo as determinações da SMTR, indo de um lado para outro. Segundo nossa apuração, a empresa ainda não foi notificada e “não sabe” o que irá fazer. Para alguns moradores, o risco da empresa sair do bairro é grande.

O setor responsável da Secretaria Municipal de Transportes informou que as partes envolvidas serão notificadas sobre a mudança de local do ponto final nos próximos dias.

#Nilopolitana #NovaIguaçu

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