Buscar
  • Mauricio "Banana" Lima - Diretor de Arte

GAMEnews | Aceite: jogar videogame antigamente era muito mais difícil!


Conforme os anos vão passando (e os cabelos se subtraindo ou no meu caso: ficando grisalhos), é fácil perceber que o entretenimento eletrônico está em desenvolvimento constante, chegando mesmo a se reinventar totalmente em alguns quesitos. Entre as principais mudanças trazidas pela era da internet (e pelos avanços notáveis no controle de qualidade), certamente se encontra certa facilidade, certa filosofia “melzinho na chupeta” que acabou por facilitar um tanto as coisas para os jogadores atuais.

É claro que jogar hoje, por outro lado, também se tornou algo muito mais elaborado, com plataformas cujas tecnologias permitem voos cada vez mais impressionantes por parte dos desenvolvedores. E isso enquanto (ainda bem) conseguem manter vivo muito do que se construiu nas primeiras gerações de consoles — com remakes, resgates e remaquiagens constantes, inclusive.

Entretanto, reitero o que disse. Jogar antigamente era uma tarefa um tanto mais pedregosa, mesmo que a diversão certamente compensasse. Dicas online? Salvamento automático a cada 20 segundos de jogo (ou mesmo qualquer salvamento)? Fases que se desenrolavam fácil e deliciosamente como um rocambole bem recheado? Nada disso. Vale até mencionar aqui alguns pontos que endossam essa ideia.

"Seu arquivo foi excluído, obrigado!"

É comum encontrar atualmente discussões em fóruns acerca de problemas envolvendo as ferramentas de salvamento em determinado título. “Como assim o meu jogo não salvou automaticamente no último Checkpoint?”. Bem, vale notar que há alguns bons anos a própria ideia de “salvar” um jogo não fazia nenhum sentido. A funcionalidade simplesmente não existia.

As primeiras melhorias nesse departamento vieram com os passwords. Trata-se daquelas sequências enormes de letras e números que deviam ser anotadas com bastante cuidado em um caderno — que normalmente já ficava à mão para isso mesmo.

Outro salto tecnológico expressivo foram as baterias incluídas em certos cartuchos. Entretanto, havia alguns pontos:

• A jogada podia ser salva apenas em determinados momentos do jogo (jamais automaticamente); • O mecanismo encarecia consideravelmente os cartuchos (e era necessário que houvesse uma bateria em cada um dos cartuchos) • Mesmo em cartuchos “não alternativos”, um arquivo podia simplesmente desaparecer sem deixar vestígio — ignorando o fato de que lhe faltava apenas matar o chefe final.

"Reflexos de um Ninja!"

Em conversa saudosista com amigos gamers, constatamos que: jogos difíceis antigamente não representavam a exceção, mas sim a regra. A franquia Souls lhe parece particularmente espinhosa e punitiva? Bem, então vá tentar a sorte com Battletoads, Batman: Revenge of the Joker ou MegaMan.

É claro que isso não necessariamente era algo positivo. Na verdade, muito dessa tradição ainda vinha dos primeiros anos, quando a geração do Atari trazia a imagem de um “jogo eletrônico”, tal e qual, de forma que não cabia ficar indignado por não chegar ao final de algo — o negócio era simplesmente ir um pouco mais longe do que aquele seu amigo!

Certamente havia ali também algum estratagema por parte das desenvolvedoras. Com apenas alguns Kb de memória, não era propriamente fácil desenvolver algo suficientemente durador para mantê-lo por horas em frente ao console (a fim de convencê-lo de que o gasto havia compensado).

Entretanto, é inegável: a sensação de recompensa ao fechar um dos títulos mais carrascos dos anos 80/90 era algo bastante único. Até porque, convenhamos, os seus adversários em pontuação ficavam apenas nas imediações — não havia ainda o “balde de água fria” dos rankings online... Era muito mais fácil manter a ilusão, portanto!

"Controle de qualidade”

“Como assim, e o meu finado Xbox 360 que tive que aposentar com aquelas malditas luzes vermelhas?!” Ok, antes de mais nada, convém reconhecer que, em termos de durabilidade e confiabilidade, mesmo as gerações mais recentes (na atual não temos relatos de tais problemas) de consoles ainda tem muito o que se desenvolver. Entretanto, os perrengues com a questão do controle de qualidade tinham certas particularidades lá pelos idos de 1990.

No Brasil, por exemplo, era incrivelmente comum encontrar cópias fajutas dos consoles que andavam na moda. Senão, faça a pesquisa. Encontre alguém que tenha jogado NES (Nintendinho) à época e pergunte se o exemplar que possuído era mesmo o da Nintendo. Eu mesmo tive um “TOPGAME”, genérico do NES fabricado aqui no Brasil pela famigerada CCE.

A probabilidade maior acredite, é que a resposta seja uma das tantas cópias realizadas em uma época em que o controle das fabricantes era um tanto mais frouxo do que hoje. Mas havia uma razão muito clara para isso: era realmente difícil conseguir os modelos propriamente ditos. E a representação oficial por aqui já não era das melhores à época.

O revés é que muitos desses aparelhos ou quebravam rapidamente ou funcionavam de forma um tanto... Diferente. Mais uma vez cito meu exemplo com meu “TOPGAME” onde em certa ocasião um NES o console exibia algumas cores trocadas. Sim, isso é sério. E não, não era o cartucho — eram os anos 80/90.

"Como eu passo desta fase???"

"Empacou" em um jogo hoje? Vá para o Google e jogue no buscador. Não apenas haverá ali a solução como ainda é bem provável que alguém tenha compartilhado um vídeo explicativo, mostrando passo-a-passo, exatamente como você deve proceder.

Empacou em um jogo em 1980/1990? Nesse caso, havia algumas opções:

• Continuar batendo a cabeça até atravessar, aos trancos e barrancos; • Usar uma daquelas fantásticas revistas com páginas recheadas de dicas “maneiras” — torcendo para que o seu jogo estivesse listado ali; • Conhecer alguém que soubesse passar (ou que tivesse a revista descrita acima); • Atentar contra a integridade do console, garantindo, ligeiramente alterado, que “nunca mais” jogaria aquilo; e em último caso e muito utilizado: • Sentar e chorar (a posição fetal também era uma opção).

"Cada época com suas pedras”

Enfim, zoeiras à parte, é claro que ainda é possível encontrar desafio nos consoles atuais, pelo menos para quem tiver interesse. Igualmente, as limitações de infraestrutura à época jamais poderia ser encarada como algo desafiador — era o que havia disponível, então, tudo bem.

Ademais, deixar de enxergar aquele seu console com trajes sadomasoquistas e chicote nas “mãos” também representou mudanças profundamente benéficas — embora, eu lhe garanto, nenhum jogador da “velha guarda” vá perder a oportunidade de cantarolar que as coisas antigamente eram mais difíceis. Isso deve fazer parte do jogo, afinal.

Ah! E por acaso este colunista se lembrou que, em algum momento dos anos 1990, um bom amigo lhe tomou emprestado uma revista Ação Games e desapareceu com ela para todo o sempre. Caso você esteja lendo este texto, fica o pedido: devolva o diabo da minha revista do primeiro Mortal Kombat! Obrigado! ;)

E aos amigos e leitores da coluna: um feliz Natal repleto de jogos para todos nós!

Enquanto isso: e aí? Bora jogar??? Me adiciona lá:

LIVE: MauricioCLima PSN: MauricioCLima79

#Videogames

0 visualização
Ajude a manter vivo o Jornalismo Local

Pedimos sua contribuição para mantermos um jornalismo profissional, valorizando informações qualificadas, contra fake news e dando voz a nossa região. Somente com seu apoio e ajuda financeira, conseguiremos continuar trabalhando para todos vocês, que confiam na nossa missão.

© 2018 Sulacap News

Jardim Sulacap - Zona Oeste do Rio de Janeiro - Brasil