• Alexandre Madruga

SAÚDEnews | Tuberculose: todos juntos nessa luta #UnirParaLutar


A tuberculose (TB) é uma infecção bacteriana grave, transmitida pelo ar cuja transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por meio do bacilo expelido por tosse, espirro ou fala de uma pessoa com tuberculose pulmonar ou na laringe. É causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida popularmente como “tísica pulmonar”. No decorrer do século XIX e até meados do século XX, era uma doença comum entre artistas e intelectuais, sendo relacionada a um estilo de vida boêmio e considerada uma “doença romântica”.Nos últimos anos, o aparecimento de bactérias multirresistentes colocou a tuberculose novamente em destaque entre as doenças infectocontagiosas.

Os pacientes podem apresentar sintomas inespecíficos como mal-estar, perda de peso, tosse, sudorese noturna, febre, dor no tórax, anorexia e falta de energia. Quando a doença atinge os pulmões é chamada de tuberculose pulmonar, mas pode acometer diversas partes do organismo, neste caso é chamada de tuberculose extrapulmonar(pleura, gânglios, cérebro, meninges,rins,bexiga,fígado,intestino,pele, ossos, ou seja, praticamente todos os órgãos e sistemas podem ser afetados). A tuberculose tem cura e o tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde.

Qualquer pessoa infectada pode adoecer por tuberculose, porém existem algumas condições que comprometem o sistema de defesa do organismo, propiciando o adoecimento. Pessoas com doenças como diabetes, infecção pelo HIV/aids, câncer e uso de tabaco estão sob maior risco de desenvolver a doença ativa. Condições desfavoráveis de vida como desnutrição, situação de rua, privação de liberdade, uso de álcool e outras drogas, além de barreiras de acesso aos serviços de saúde também colocam o indivíduo em maior risco de adoecimento. A tuberculose ativa em pessoas que vivem com HIV é uma das condições de maior impacto na mortalidade por HIV e por tuberculose no país. Essas pessoas estão mais propensas a desenvolver tuberculose e frequentemente o diagnóstico da infecção pelo HIV ocorre durante o curso da TB.

A tuberculose é um grave problema de saúde pública na população em situação de rua, sempre com elevada taxa de incidência e de abandono de tratamento. A tuberculose é uma doença de transmissão aérea e encontra no sistema prisional o ambiente ideal para sua propagação, celas mal ventiladas, iluminação solar reduzida e dificuldade de acesso aos serviços de saúde, são alguns fatores que contribuem para o coeficiente elevado de tuberculose no sistema prisional.

O bacilo pode permanecer no ambiente por horas, principalmente quando o local não é ventilado e arejado. Ambientes fechados, mal ventilados, com ausência de luz solar, com aglomerações de pessoas, tornam maior a chance de transmissão. Quanto maior o tempo de permanência em ambiente com essas características e pessoas com tuberculose sem tratamento, maior a chance de infecção. Por isso, é importante manter ambientes arejados, permitir a entrada de luz solar e janelas abertas para adequada circulação do ar. As pessoas devem criar o hábito de cobrir com um lenço a boca e o nariz quando tossir ou espirrar. No caso da tuberculose isso ajuda a diminuir a disseminação dos bacilos. A principal fonte de infecção é o indivíduo com a forma pulmonar da doença, que elimina bacilos para o exterior.

A transmissão da tuberculose ocorre enquanto o doente estiver eliminando bacilos e não tiver iniciado o tratamento. A partir de 15 dias de tratamento adequado, o risco de transmissão diminui. Depois de 15 a 30 dias, a pessoa deixa de transmitir a tuberculose, o que deve ser confirmado pelo exame do escarro (catarro). Os remédios devem ser tomados diariamente, conforme orientação do profissional de saúde. Somente em casos graves o paciente precisa de internação.

A família e as pessoas que convivem mais com o doente tem maior risco de se contaminar e adoecer, porque tiveram contato com a pessoa doente antes do início do tratamento. Amigos, colegas de trabalho e outras pessoas que tenham contato permanente com a pessoa doente também podem contrair tuberculose, assim todos deverão procurar uma unidade de saúde para avaliação.Em geral, o paciente melhora dos sintomas logo nas primeiras semanas de tratamento. Mas isso não significa que ele já esteja curado.

Muitos motivos levam uma pessoa a abandonar o tratamento, se o tratamento for interrompido antes do tempo, ou se os remédios forem tomados de forma irregular, o paciente pode voltar a transmitir a tuberculose. Os micróbios que não morreram são os mais resistentes aos medicamentos, são esses micróbios mais fortes que vão se reproduzir. Tornando a cura mais difícil. Pode ser necessário mudar os medicamentos e aumentar o tempo do tratamento, que pode chegar a dois anos ou mais.

No Sistema Único de Saúde, a rede de atenção à tuberculose é composta por unidades da atenção básica, ambulatórios especializados (referências secundárias e terciárias), hospitais e rede laboratorial.

É preciso desmistificar a doença, reconhecer que ela incide com mais força onde existe pobreza, grandes aglomerações humanas em habitações insalubres onde convivem crianças, adultos, idosos.Tuberculose não pega ao usar os mesmos pratos, copos, talheres, toalhas ou vaso sanitário que a pessoa doente usa. Tuberculose também não pega no beijo, no abraço e na relação sexual.Maior conhecimento sobre a tuberculose ajuda a diminuir o estigma e o preconceito associados à doença.

A luta contra a tuberculose é do interesse de todos. Quanto menos pessoas doentes, menos contaminação do ar e menos transmissão dos bacilos.

Vacinação

Para prevenir a doença é necessário vacinar as crianças ao nascer, ou, no máximo, até 04 anos, 11 meses e 29 dias com a vacina BCG, a qual protege a criança das formas mais graves, como a tuberculose miliar e a meníngea. A vacina está disponível gratuitamente, nas salas de vacinação das redes de serviços do Sistema Único de Saúde, incluindo maternidades.

Tratamento

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa grave, porém se o tratamento for administrado corretamente, ela é curável em praticamente 100% dos casos. O objetivo do tratamento é eliminar todos os bacilos tuberculosos, anulando as fontes de infecção. O tratamento deve ser feito no ambulatório com supervisão no serviço de saúde mais próximo, na residência ou no trabalho do doente. Para assegurar a cura, é necessário, uma associação medicamentosa adequada em doses corretas por tempo suficiente e com supervisão da administração dos medicamentos. A TB atinge todas as camadas sociais, mas sempre acometeu em maior número os mais pobres.A TB deixou de ser uma doença das elites para continuar vitimando os segmentos pobres da população.

A quimioterapia antituberculose enfrenta diversos obstáculos tais como a longa duração do tratamento, falta de informação e de acompanhamento e diversos efeitos colaterais tais como náuseas, vômitos, asma, alterações visuais, entre outros. Como consequência tem-se a não adesão por parte dos pacientes ao tratamento. O tratamento da TB pode durar de 6 meses a 2 anos e a falta de adesão do paciente ao tratamento é a principal causa do aparecimento de resistências aos medicamentos.

O esquema básico, com quatro substâncias, favorece a maior adesão ao tratamento. A combinação também evita o aumento da multirresistência da doença e possibilita maior conforto ao paciente devido à redução do número de comprimidos a serem ingeridos por dia.

Há necessidade da prevenção do surgimento de novos infectados, por meio do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da fonte de infecção. A dificuldade nessa ação decorre do fato de os doentes só procurarem as unidades de saúde tardiamente, com meses de sintomas, quando já disseminaram o bacilo entre os contatos. E também da existência de pacientes que não concluem o tratamento de forma adequada, voltando a ser novamente fonte de infecção e muitos tornando-se eliminadores de bacilos resistentes aos fármacos.

Para o controle efetivo da tuberculose é importante que toda a comunidade esteja mobilizada e informada sobre a doença, reduzindo também o estigma e o preconceito que afetam as pessoas com TB. Para isso, é importante que esse tema seja inserido em ações educativas e eventos da comunidade, associação de moradores, instituições religiosas, grupos culturais, escolas e outras lideranças comunitárias, visando à divulgação da doença e ao seu controle.

Cristiane Pontes é Enfermeira, Professora, Socorrista e Especialista em Saúde Coletiva pela EEAN/UFRJ.

Facebook: Cris Pontes

Email para dúvidas, críticas e sugestões: crismp.enf@hotmail.com

#Saúde #Tuberculose

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