• Cristiane Pontes

SAÚDEnews: Pombos, bonitos e elegantes, porém perigosos


Nas grandes cidades, muitas pessoas alimentam os pombos. Recebendo alimento, as aves deixam de buscar na natureza os alimentos adequados à sua dieta, como grãos, frutos e sementes, visto que a oferta ou escassez de alimentos influencia a reprodução dos pombos. Em locais onde há fartura de alimentos, ocorre o aumento da população destas aves., e se há escassez de alimentos, a população tende a diminuir, até chegar a um equilíbrio. Sua população é relacionada aos locais que habitam, e à facilidade de acesso ao alimento e ao abrigo.

Na natureza, os pombos, como diversos animais, têm a função de controlar insetos e disseminar sementes das plantas que utilizam como alimento e são eliminadas nas fezes, prontas para germinar no solo. Os pombos vivem de 15 a 30 anos na natureza, e somente de 3 a 5 anos nas cidades. Se o pombo tiver que procurar comida, como as aves silvestres, vai procriar de acordo com os limites de sua própria realidade. Restos de comida, pão, pipocas, são alimentos inadequados e prejudicam a saúde dos animais, além de viciá-los.

É muito importante para nossa saúde controlar a população desses animais na comunidade, fazendo com que eles procurem locais mais adequados para viver, com alimentação correta e longe dos perigos das cidades. Não são aves migratórias e podem permanecem no mesmo local a vida inteira. Por obter comida facilmente, se tornam lentos, proliferam com maior facilidade e se mantêm próximos dos seres humanos. Assim fazem seus ninhos em qualquer lugar.

O grande problema é que esses animais transmitem doenças, as chamadas zoonoses!

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define zoonoses como: “Doenças ou infecções naturalmente transmissíveis entre animais vertebrados e seres humanos”. São conhecidas mais de 50 doenças que essas aves podem causar, dentre elas: criptococose, histoplasmose, ornitose, salmonelose, encefalite, dermatites, alergias respiratórias, doença de Newcastle, aspergilose e tuberculose aviária, dentre outras.

São encontrados no mundo todo, principalmente nas grandes cidades, com exceção das regiões polares. Abrigam-se em locais altos, como torres de igreja, forro de telhados, topos e beirais de edifícios, vãos de instalação de ar condicionado, etc. O contato com as fezes de pombos pode causar vários problemas de saúde nos seres humanos.

Não possuem predadores naturais, sua população cresce muito rápido e o aumento de sua quantidade torna-se um grave problema de saúde, pois, podem causar várias doenças graves que podem levar à morte ou deixar sequelas. As fezes dos pombos frequentemente podem causar entupimento de bueiros, calhas e tubulações, além de contaminar produtos alimentícios e a água.

Riscos à saúde Vários fungos e bactérias podem se desenvolver nas fezes ressecadas dos pombos,favorecendo a introdução no organismo pela respiração da poeira desses restos, além do consumo de água e alimentos contaminados por estes micro-organismos. Geralmente, as vítimas destas doenças são pessoas que convivem com grande quantidade de aves em ambientes fechados, sem higiene adequada e sem controle veterinário, ou pessoas com deficiências imunológicas causadas por doenças pré-existentes.

Principais doenças transmitidas por meio de fezes e dejetos dos pombos: Ornitose: Doença infecciosa. A contaminação ao homem ocorre pelo contato com aves portadoras da bactéria ou com seus dejetos e é difícil de ser detectada também conhecida como psitacose. É transmitida por via oral por meio da poeira contendo as fezes secas de aves e infectadas pela Chlamydiapsittaci. Sintomas O indivíduo infectado pode apresentar febre, vômito, calafrio, mialgia, tosse, cefaléia, acompanhados por comprometimentos das vias aéreas superiores e inferiores Doença de Newcastle: causada pelo vírus Parmyxovirus. Afeta os olhos, causando conjuntivite, dor e lacrimejamento. Pode também causar ligeira febre, calafrios e faringite Meningite: Inflamação das membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal. Criptococose: É a doença mais grave, causada pelo fungo Cryptococusneoformans., e transmitida pela inalação da poeira contendo fezes secas de pombos. Compromete o pulmão, e pode afetar o sistema nervoso central, causando alergias, micose profunda e até meningite subaguda ou crônica. Sintomas: febre, tosse, dor torácica, podendo ocorrer também dor de cabeça, sonolência, rigidez da nuca, acuidade visual diminuída, agitação e confusão mental. Histoplasmose: Transmitida pela inalação do esporo do fungo Histoplasmaapsulatum encontrado em fezes secas de pombos (e morcegos). Sintomas: Causa uma micose profunda e seus sintomas variam desde uma infecção assintomática até febre, dor torácica, tosse, mal-estar geral, anemia, etc. É uma doença que vai depender do estado de saúde do indivíduo, podendo se desenvolver ou não. Salmonelose: Causada pela ingestão de ovos ou carne contaminados pela bactéria Salmonellasp presente nas fezes de pombos (e outros animais). Sintomas:Toxinfecção alimentar com sintomas como febre, diarreia, vômitos, e dores abdominais. Suas fezes, em contato com alimentos como verduras, frutas, podem acarretar nessa doença.

Alergias: ocasionadas pela inalação de penugens de pombos ou de um ar rico em poeira das fezes dos pombos. Pode causar rinites, ou crises de bronquite em pessoas sensíveis. Dermatites: Parasitose causada pelo piolho do pombo (ácaros, Ornithonyssussp), que provoca erupções na pele e coceiras semelhantes às de picadas de insetos. Doenças causadas por ectoparasitas: Cimexcolumbarius (Hemiptera) é um percevejo que se instala em ninhos de pombos e os ataca, sugando sangue. Porém, se as aves abandonam o ninho e tem presença de um humano, irão ataca-lo. Outro percevejo de pombo que pode atacar o homem é Triatomarubrofasciata, cuja picada é extremamente dolorosa.

As pulgas Ceratophylluscolumbae e C. galinae também atacam pombos. Também vão passar para humanos em casos de abandono do ninho pelas aves por períodos muito longos. Podem causar quadros alérgicos com suas picadas.

Os piolhossão o de Mallophaga (Columbicolacolumbae e Campanulotesbidentatus) também podem nos explorar como hospedeiros, quando manuseamos ninhos desta ave.

ALERTA:Em caso dos sintomas citados, procure o seu médico e informe a presença de pombos e ou contato com as fezes secas desses animais!

Medidas de controle: • retirar ninhos e ovos; • umedecer as fezes dos pombos com desinfetante antes de varrê-las; • utilizar luvas e máscara ou pano úmido para cobrir o nariz e a boca ao fazer a limpeza do local onde estão as fezes; • vedar buracos ou vãos entre paredes, telhados e forros; • colocar telas em varandas, janelas e caixas de ar condicionado; • não deixar alimentos que possam servir aos pombos, como ração de cães e gatos; • utilizar grampos em beirais para evitar que os pombos pousem; • acondicionar corretamente o lixo em recipientes fechados; • nunca alimentar os pombos, assim eles buscarão outro local, voltando para a natureza e equilibrando a população desses animais. • Barreiras físicas que impedem ou dificultam o pouso e a instalação das aves. (Inclinação de superfícies de pouso). • Emprego de acessórios desestabilizadores de pouso (graxas) • Vedação de espaços de abrigos • Uso de telas protetoras

Problemas ambientais • As fezes dos pombos podem contaminar a água e os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo.

• As fezes ácidas dos pombos causam danos em pinturas, superfícies metálicas, monumentos e fachadas.

• Em locais onde os pombos são alimentados ocorre proliferação de roedores e insetos.

Além do grave risco a saúde pública, os pombos representam também um problema ecológico. O crescimento rápido e praticamente incontrolável dos bandos, pode criar um desequilíbrio ao competir por alimento com as espécies nativas. Mesmo que você não tenha problemas, colabore com a saúde pública:

DICAS:Utilizar água e cloro para lavar as fezes dos pombos em caso de necessidade. Não maltrate os pombos, basta afastá-los, utilizando as técnicas sugeridas. Não alimente Pombos!

Se você não conseguir afasta-los, ligue para a Prefeitura e solicite visita técnica!

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