• Alexandre Madruga

POR AÍ! Recife encantadora


Essa é a mais nova coluna, para que você saiba mais sobre lugares ou locais que um dia possa conhecer. A coluna é aberta para conteúdo colaborativo, ou seja, qualquer um pode escrever nesse espaço. Basta mandar a história do lugar que conheça ou visitou, com fotos. Então, quem for POR AÍ! e quiser escrever sobre isso, envie e-mail para jardimsulacapnews@gmail.com.

Hoje, vamos falar sobre a capital Recife, num passeio recheado de história e curiosidade. Então, vamos POR AÍ!

Vou conhecer a cidade de Recife, num pequeno tour conduzido pelo meu anfitrião Fabiano. Ex-árbitro de futebol como eu, mudou-se para cá e gentilmente me hospeda em seu belo apartamento no bairro de Piedade, ao lado da praia de mesmo nome. Começamos claro, pela orla. Mais de 17 km de praia, que começa em Piedade e termina em Boa Viagem. A curiosidade da primeira praia é ele estar totalmente vazia. Estranhei claro. Um céu azul, sol forte e ninguém na água. Mas tem um bom motivo: por aqui é proibido o mergulho por causa dos tubarões. Mais a frente à placa me explicou a razão.

Mesmo sem público, a praia de Piedade é toda bem calçada, cheia de cores, com pontos de malhação, vários locais de estacionamento e ciclovia bem sinalizada. E sinalização não falta na orla recifense. Muitas placas em grandes pórticos, com nomes das ruas transversais. Velocidade controlada com vários radares. Com isso, transito tranqüilo e sem engarrafar.

Se aqui Tubarão não dá piedade (perdão do trocadilho), então o jeito é tomar banho após os arrecifes da praia de Boa Viagem. Esses arrecifes, que originaram o nome da cidade (nome vem do árabe, ar-raçif, que significa calçada, caminho pavimentado), foram citados pelo poeta luso-brasileiro Bento Teixeira em 1601, que assim a descreveu, em síntese: “Uma cinta de pedra, inculta e viva, ao longo da soberba e larga costa, onde quebra Netuno a fúria esquiva”.

Recife, de acordo com o Senso 2000, tem atualmente 1.422.905 habitantes. O segundo bairro mais populoso se chama Brasília Teimosa (mais de 292 mil), antes conhecida com o sobrenome Formosa. Por conta da insistência dos moradores em lá permanecerem, mesmo com as inúmeras tentativas do governo de retirá-las, o nome atual acabou por surgir. Essa comunidade beira a praia de Boa Viagem, fazendo com que elite e baixa renda mantenham os mesmos direitos em residir à beira do mar. Ou seja, aqui, morar de frente para a praia, não é uma exclusividade dos nobres.

Outra constatação curiosa é a quantidade de veículos em bom estado nas ruas, que nem são tão bem conservadas assim. De acordo com meu anfitrião, as condições financeiras aqui são boas, e a maioria das pessoas tem seu carro e, normalmente, novo. Verdade ou mentira, o fato é que só vi carros novos. Até carros que nem sabia que existia eu vi aqui, importados claro. Mas é isso, Recife é uma grande metrópole.

Após a capital federal teimosa de Recife, lá fui eu por um estreito caminho, em direção ao Parque das Esculturas, que divide o mar e a baía. Uma estrutura em forma de cais, que na verdade começou como uma construção para conter o avanço do mar. Numa espécie de reforço, sua base ficou tão larga que agora passam carros. E meu anfitrião fez questão de me assustar por passar por algo tão estreito, cortando o mar. Mas do susto veio o deslumbramento.

Após percorrer pouco mais de um quilômetro, a passagem fica interrompida devido às obras realizadas pela Prefeitura. Um lindo restaurante a beira do mar, conhecido como Iate Clube (no caminho da antiga Casa de Banhos), com carros chiques em seu estacionamento privativo é o limite final para os veículos. O dono deve estar agradecido por ainda manter-se aberto, mesmo com as obras. Subo no muro de contenção das águas e do outro lado os arrecifes, criados pela própria mãe natureza. Encantamento.

Começamos uma caminhada longa, de mais uns dois quilômetros até chegarmos ao Parque das Esculturas. Fundado em 2000 para homenagear os 500 anos do Descobrimento, o parque abriga 90 obras do artista pernambucano Francisco Brennand, conhecido como “Mestre dos Sonhos” e com grandes trabalhos em cerâmica. E coloca grandes nisso.

As esculturas dispostas de frente para o mar, como a Coluna de Cristal (com 32 metros de altura) e as Sereias (cinco mulheres-peixe que representam cada uma um século) são um ponto turístico que merece a caminhada para chegar. Recompensador. O curioso é a forma das esculturas das sereias, que lembram um pênis de pé. De acordo com meu anfitrião é proposital. Verdade ou não, que parece, parece.

Ao pé das Sereias Cora, Severina, Justina, Marina e Alberta, uma placa com os seguintes dizeres de Brennand: “Nesta sentinela avançada do Atlântico, cinco Sereias olham o tempo: (…). Cada uma é um século. Assim, 500 anos de descoberta. Ali, tão perto, uma coluna branca tenta ser o pouso de voos desconhecidos”.

Por trás das esculturas, do outro lado da baía, a velha Recife. O novo e o velho se contrastam, como o prédio conhecido como as Torres Gêmeas e um pequeno sobrado, velho, fechado, caindo aos pedaços. Informações dão conta que cada apartamento do Word Trade Center nordestino custou à bagatela de R$ 1 milhão. E, com dois meses de obras, já estavam todos vendidos.

Pude ainda ver a pesca de arrasto, que infelizmente pegou poucos peixes e muita sujeira. É lamentável, mas a poluição domina a baía de Recife. Curioso que o arrecife que protege a costa, é o mesmo que impede a entrada das águas limpas em abundância. Claro que entram, mas em menor escala por outro ponto mais curto e distante. As obras de reforma começam pelo fim, onde ficam as esculturas. Cimento duro e áspero vai tomando um caminho pedregoso e antes intransitável. Calçamento é feito. Pedestres aqui terão vez. Mas amplo espaço de estacionamento também foi feito e já está pronto.

Trajeto de volta, passando novamente pela capital política da teimosia, vejo moradores saindo de suas casas e se espreguiçando defronte ao mar. Que prazer acordar ouvindo as águas de Iemanjá, a rainha do mar. E a maresia todo dia? Acho que eles nem devem mais sentir. Mas pé na tábua, nosso tour precisa continuar. Comunidade de Brasília Teimosa. Moradias na beira da Praia de Boa Viagem.

Pegamos uma grande reta, rumo a Recife velha, onde acontecem os famosos carnavais de rua (como o Galo da Madrugada) e local de sinais colocados tão distantes da faixa de pedestres, que cariocas aqui certamente parariam no meio do cruzamento. Meu amigo acabou confessando que fez isso várias vezes, durante sua adaptação.

Bate a fome. Recomendo ao amigo que devemos almoçar, até porque no relógio bate 14h30. Retorno lento, trânsito congestionado. Mas, lá vem meu amigo Fabiano com outra explicação pitoresca. Aqui em Recife, sair cedo do trabalho na sexta-feira é muito comum. Por isso os engarrafamentos começam no início da tarde. Mas cá entre nós. Com tanta beleza, vale à pena sair cedo e deslumbrar o canto das Sereias e a beleza dos arrecifes de Recife.


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